Eleições no Peru
O candidato de direita Rafael López Aliaga, que ficou fora do segundo turno no Peru por apenas 21 mil votos, disse que buscará na Justiça anular o resultado da eleição presidencial, que colocou a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez na votação final, marcada para 7 de junho.
“O golpe de Estado e a fraude eleitoral no Peru acabaram de ser consumados. O Onpe [Escritório Nacional de Processos Eleitorais], o JNE [Jurado Nacional de Eleições] e seus cúmplices escolhem e impõem seus candidatos contra a vontade do povo. Impugnaremos imediatamente esse grave crime de traição à pátria! Não aceitaremos resultados produzidos por fraude e corrupção”, escreveu López Aliaga.
Perfíl de Rafael López Aliaga
O empresário Rafael López Aliaga, de 65 anos, é formado em engenharia e administração de empresas e proprietário de empresas dos setores hoteleiro e ferroviário, entre elas, a que opera a concessão da linha que leva turistas a Machu Picchu, o principal ponto turístico do Peru.
Ele foi vereador em Lima entre 2007 e 2010 e foi eleito prefeito da capital em 2022, mas deixou o cargo em 2025 para concorrer novamente à presidência – na tentativa anterior, em 2021, também havia ficado em terceiro lugar no primeiro turno, com 11,75% dos votos. Este ano, somou 11,9%.
Alegações de fraude
Crítico da “esquerda caviar”, López Aliaga foi comparado pela agência EFE ao presidente americano, Donald Trump, pelo estilo confrontador e pelas suas propostas linha-dura, que incluem a saída do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos; pena de morte e prisão perpétua para crimes como extorsão, homicídio por encomenda e estupro de menores; construção de prisões em áreas de selva isoladas para presos de alta periculosidade; e tornozeleiras eletrônicas para imigrantes ilegais, entre outras medidas para combater a falta de segurança.
Outra semelhança de López Aliaga com o presidente americano é a alegação de fraudes em eleições: durante a apuração, ele pediu para que a procuradoria-geral do Peru e a polícia prendessem “imediatamente” o diretor do órgão eleitoral peruano e para que as eleições fossem anuladas, devido a falhas que fizeram a votação, marcada para ocorrer apenas em 12 de abril, ser prorrogada até o dia seguinte. Também ofereceu uma recompensa para quem apresentasse provas de fraude no processo.
“Nem mesmo na Venezuela, sob a ditadura de [Nicolás] Maduro, se viu tamanha sujeira”, afirmou, em protesto em Lima na primeira semana de apuração.
Posteriormente, López Aliaga apresentou um pedido para a realização de eleições complementares para que fossem às urnas pessoas que teriam deixado de votar devido aos problemas no pleito, mas a solicitação foi negada pelo JNE.
Fonte: Gazeta Mundo


