EconomiaParaná: cafeicultura resgatada após Geada Negra de 1975 com foco em qualidade

Paraná: cafeicultura resgatada após Geada Negra de 1975 com foco em qualidade

Introdução

O Paraná, que já foi o maior produtor de café do Brasil, busca resgatar sua importância no setor com foco na qualidade dos grãos. Isso ocorre cinco décadas após a Geada Negra de 1975, que devastou quase dois terços dos cafezais do estado.

A Geada Negra e seu impacto

Em 1975, a Geada Negra reduziu as temperaturas a níveis críticos, congelando a seiva das plantas de café e dizimando cerca de 60% dos 1,8 milhão de hectares de cafezais do estado. Esse evento mudou o panorama econômico do Paraná e do país, forçando o estado a reestruturar sua matriz de produção.

O colapso dos cafezais também provocou a perda de milhares de postos de trabalho, desencadeando um êxodo rural em direção às periferias urbanas e às novas fronteiras do Centro-Oeste.

Retomada da cafeicultura

Hoje, o Paraná tem pouco mais de 26 mil hectares de cafezais e produz menos de 1 milhão de sacas anualmente. No entanto, as famílias que permaneceram no campo encontraram uma saída na diversificação das propriedades e na modernização das cadeias de avicultura e suinocultura.

A retomada da cafeicultura no estado exigiu a intervenção direta da ciência, com a criação de cultivares mais adaptadas e a difusão de táticas de adensamento das lavouras. Além disso, os agricultores foram orientados a investir em processos meticulosos de pós-colheita, como a secagem em terreiros suspensos e a fermentação controlada.

Café especial e Indicação Geográfica

O Paraná se destaca como polo de cafés especiais, com até 30% do volume produzido hoje classificado como café especial. Esse segmento remunera o agricultor com prêmios comerciais que chegam a dobrar o valor pago pela saca convencional.

O café especial da região do Norte Pioneiro foi o primeiro produto paranaense a ter registro de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi) em 2012. O selo de IG certifica a qualidade de um produto ou serviço em razão da origem e de localizações específicas.

Turismo e roteiro de café

O reposicionamento técnico do grão também viabilizou a integração da agricultura primária com o turismo, gerando diversificação de receitas para as fazendas. A “Rota do Café”, inaugurada em 2009, é um itinerário que abrange cidades como Londrina, Ibiporã e Ribeirão Claro, e permite que os visitantes vivenciem o ciclo produtivo “do pé à xícara”.

Fonte: Gazeta Economia

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