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Fóssil na Bahia revela nova espécie de “ave do terror” que viveu até a Era do Gelo

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Por Bruno Maffi

Por Bruno Maffi

19/05/2026 às 17:21

19/05/2026 às 17:21

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Um osso encontrado em uma caverna da Chapada Diamantina, na Bahia, levou pesquisadores brasileiros à identificação de uma espécie inédita de “ave do terror”, grupo de predadores que dominou o topo da cadeia alimentar da América do Sul por milhões de anos. A descoberta indica que esses animais viveram no Brasil até aproximadamente 25 mil anos atrás.

O fóssil foi localizado na Toca dos Ossos, caverna no município baiano de Ourolândia. O material consiste em um fragmento incompleto do tibiotarso, osso localizado abaixo do fêmur nas aves. Mesmo com a preservação limitada, os pesquisadores conseguiram identificar características anatômicas suficientes para descrever um novo gênero e espécie.

O animal recebeu o nome científico Eschatornis aterradora. O estudo foi publicado no periódico científico Papers in Palaeontology e reúne pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Centro de Pesquisas em Ciências da Terra, na Argentina.

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Nome da espécie faz referência às “últimas aves do terror”

O nome Eschatornis deriva do grego e significa “última ave”, referência ao desaparecimento do grupo, no fim do Pleistoceno, época geológica popularmente conhecida como a Era do Gelo, que ocorreu entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos atrás. Já o termo aterradora faz alusão direta ao apelido popular das aves predadoras.

“O fóssil pertence à família Phorusrhacidae, conhecida como a família das aves do terror. Eram aves predadoras de grande porte, carnívoras, que ocupavam o topo da cadeia alimentar. Por causa do tamanho e dos hábitos predatórios, elas ficaram conhecidas popularmente dessa forma”, explicou o biólogo Victor Hugo Machado, que liderou o estudo.

De acordo com o pesquisador, algumas dessas aves chegavam a quase três metros de altura e podiam ultrapassar 300 quilos, como espécies encontradas na Argentina. Já a nova espécie brasileira apresentava porte bem menor. As estimativas apontam peso de até seis quilos e altura entre 70 e 90 centímetros. As parentes vivas mais próximas dessas espécies hoje são as seriemas.

Descoberta desafia teoria sobre extinção dos superpredadores

Segundo o biólogo, a descoberta muda parte do entendimento sobre a extinção dessas aves predadoras. “Essa descoberta mostra que as aves do terror sobreviveram até o final do Pleistoceno. A principal importância do estudo é justamente essa extensão cronológica da família até um período muito mais recente do que se imaginava anteriormente”, afirmou.

O pesquisador explicou que já existiam registros semelhantes em outros países da América do Sul, mas sem o mesmo grau de segurança alcançado agora.

“Há alguns achados no Uruguai, mas eles não dão tanta certeza quanto esse trabalho trouxe agora. Com a datação por radiocarbono, conseguimos levantar informações mais seguras e entender melhor quando esse animal viveu e em que ambiente ele estava inserido”, disse Machado.

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A análise também permitiu reconstruir parte do cenário ambiental da Bahia pré-histórica. Segundo o biólogo, a região apresentava condições diferentes das atuais.

“O ambiente onde esse animal viveu era um ambiente mais seco, com áreas de savana e também muitos arbustos. Isso ajuda a construir um paleoambiente que a gente não observa mais na região atualmente. É uma das informações importantes que esse fóssil consegue trazer”, apontou Machado.

Os pesquisadores acreditam que o porte reduzido da Eschatornis aterradora pode ter ajudado na sobrevivência da espécie até períodos mais recentes. “Uma das possibilidades é que essa espécie não competia diretamente com grandes carnívoros, como os ursos, os felinos e os canídeos que existiam na América do Sul. Isso pode ter permitido que ela sobrevivesse mais recentemente do que outras espécies da família”, analisou.

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Fonte: Gazeta Brasil

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