Crise no DC
A filiação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao Democracia Cristã (DC), anunciada em 16 de maio, desencadeou uma crise interna no partido e colocou em xeque a pré-candidatura de Aldo Rebelo à Presidência da República em 2026.
Segundo dirigentes do partido, Barbosa passou a ser visto como uma opção para disputar a Presidência, substituindo Rebelo, cuja candidatura não ganhou densidade eleitoral nas pesquisas recentes.
Contexto da Filiação
A entrada de Joaquim Barbosa no DC faz parte de uma tentativa de dar maior visibilidade nacional ao partido e explorar uma agenda ligada ao combate à corrupção, ética pública e reformas institucionais — temas associados à trajetória de Barbosa no julgamento do mensalão e durante sua passagem pela presidência do STF.
Barbosa, que apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, ganhou projeção nacional como relator do mensalão e presidiu o Supremo entre 2012 e 2014, tornando-se o primeiro negro a comandar a Corte.
Reação de Aliados e Rebelo
A articulação, no entanto, provocou reação imediata de aliados de Aldo Rebelo. O presidente do diretório paulista do DC, Cândido Vaccarezza, criticou duramente a possível candidatura de Barbosa e afirmou que ele seria “inapoiável”.
Vaccarezza acusou Barbosa de ter iniciado o “lawfare” no Brasil durante o julgamento do mensalão e disse que atuará contra a candidatura caso ela avance. Em resposta, o presidente nacional do DC, João Caldas, afirmou que vai expulsar “sumariamente” quem for contra a candidatura de Barbosa.
Rebelo também divulgou nota pública contra a movimentação da direção partidária, afirmando que não aceita ser substituído por Barbosa na disputa presidencial e criticou a condução das negociações sem consulta prévia à sua campanha.
Ele também disse que possui “divergências políticas profundas” com Joaquim Barbosa e criticou decisões tomadas pelo ex-presidente do STF durante o julgamento da Ação Penal 470, o mensalão.
Fonte: Gazeta Política


