Condições para negociações de paz
A agência de notícias iraniana Fars, vinculada à Guarda Revolucionária do Irã, afirmou que os Estados Unidos impuseram condições para prosseguir com negociações de paz, incluindo a entrega do urânio enriquecido e a manutenção de apenas uma instalação nuclear em funcionamento.
Além disso, os EUA teriam se recusado a compensar financeiramente o Irã pelos danos causados durante a ofensiva militar em curso desde o fim de fevereiro, de acordo com a agência EFE.
Visita do ministro do Interior do Paquistão
A Fars publicou a notícia no dia seguinte à visita do ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, a Teerã. De acordo com a EFE, Naqvi teria viajado para levar uma mensagem norte-americana aos iranianos.
O Paquistão tem atuado como mediador entre Washington e o regime dos aiatolás, e sediou uma rodada de negociações entre autoridades de alto nível norte-americanas e iranianas em abril, que terminou sem resultados concretos.
Condições norte-americanas
Além dos 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, das limitações ao funcionamento de instalações nucleares e da recusa ao pagamento de compensações, os Estados Unidos ainda teriam negado o desbloqueio de ativos iranianos congelados no exterior, e afirmado que a ação militar só terminará com o prosseguimento das negociações de paz, de acordo com a agência noticiosa iraniana.
A Fars já deixou subentendido que essa proposta não será aceita, ao afirmar que a ameaça de novos ataques por parte de EUA e Israel continuaria mesmo se as condições norte-americanas fossem acatadas.
Os aiatolás propõem o exato oposto: que, antes de as negociações sobre o programa nuclear iraniano continuarem, os EUA precisam encerrar a guerra, suspender as sanções contra o Irã, descongelar os fundos bloqueados, indenizar o país pelos danos do conflito e reconhecer a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
Essa proposta também já foi recusada por Donald Trump, que a qualificou como “inaceitável” e “um pedaço de lixo”.
No momento, EUA e Irã passam por uma trégua que o presidente norte-americano qualificou como “incrivelmente frágil”.
O impasse sobre a navegação marítima pelo Estreito de Ormuz permanece, enquanto a disrupção no mercado global de petróleo se reflete em aumento de preços em postos de combustíveis em inúmeros países, e na ameaça do cancelamento de voos devido à escassez ou o encarecimento do querosene de aviação.
Fonte: Gazeta Mundo


