Operações internacionais contra o crime organizado
Uma operação internacional das forças de segurança do Brasil e da Bolívia resultou na prisão de um casal em Santa Cruz de La Sierra, no país vizinho, acusados de serem lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na Bahia.
Essa não é uma ocorrência isolada. Há uma série de prisões de integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) no país vizinho, o que evidencia um fenômeno em ascensão: fugidos do país, membros e líderes de facções criminosas nacionais estabelecem-se na Bolívia, de onde seguem comandando os negócios ilegais dos grupos criminosos por aqui e por lá.
Prisões de lideranças do PCC
Outra grande captura de criminosos do PCC foragidos do Brasil na Bolívia chamou a atenção na última semana. Felipe Anderson Pinho de Sousa, conhecido como “Felipe Pacote”, e Gleison Gomes de Oliveira, o “Zé Caboclo”, foram localizados em uma chácara na cidade de Santa Cruz de La Sierra — eles são apontados pela polícia como lideranças do PCC no Ceará.
No local, os agentes apreenderam 21 armas, sendo 15 fuzis, carabinas e 3 pistolas. Além disso, foram localizados no imóvel fardamentos da polícia boliviana, drogas, 150 mil dólares, veículos e celulares. Dois bolivianos também foram presos durante a ação.
Facilidade de esconderijo na Bolívia
A amplitude de fronteiras mal guardadas com Brasil, Paraguai e Peru — junto com a Colômbia, os principais produtores ou rotas de tráfico internacional de drogas ilícitas como a cocaína — favorece o trânsito terrestre e aéreo dos criminosos, em helicópteros ou aviões de pequeno porte. A facilidade de subornar autoridades e viver com documentos falsos é apontada como motivo que leva integrantes de PCC e Comando Vermelho a se esconder na Bolívia.
De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), os faccionados têm “grande facilidade para ir e vir” no país, sem serem incomodados. “O PCC domina a Bolívia. Nos anos 1990 e 2000, eles se escondiam no Paraguai, depois migraram para a Bolívia por essa facilidade de viver com documento falso, contando com a corrupção de policiais e autoridades locais”.
Cooperação internacional contra o crime organizado
O Brasil foi escolhido pela Interpol para chefiar uma força-tarefa inédita contra o crime organizado na América do Sul. Com sede em Buenos Aires e coordenação da Polícia Federal brasileira, a iniciativa lançada em março de 2026 foca na aliança entre facções e cartéis de drogas regionais. Policiais de todos os países sul-americanos trabalham lado a lado no escritório regional da Interpol em Buenos Aires.
Eles têm acesso direto ao banco de dados mundial da entidade, o que permite cruzar informações de biometria (como digitais), registros de apreensões e dados financeiros em tempo real. Os resultados da maior cooperação internacional começam a aparecer.
Fonte: Gazeta Brasil


