A fórmula eleitoral do PT
A fórmula eleitoral historicamente utilizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) começa a dar sinais de esgotamento. Desde 2002, a legenda estruturou sua permanência no poder sobre uma combinação de ampliação de benefícios sociais, expansão do crédito via bancos públicos, desonerações tributárias, valorização real do salário mínimo e maior presença do Estado na economia.
Sustentado por programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, o modelo garantiu ao PT cinco vitórias nas seis eleições presidenciais realizadas nas últimas duas décadas — Luiz Inácio Lula da Silva venceu em 2002, 2006 e 2022, enquanto Dilma Rousseff foi eleita em 2010 e 2014. Ao todo, o partido governou o país por 20 dos últimos 24 anos.
Desgaste da estratégia
A engrenagem de reeleição do terceiro mandato de Lula já foi acionada e opera em ritmo acelerado por meio de uma nova rodada de benesses para segmentos variados. A dúvida, porém, é se a estratégia ainda produz os mesmos efeitos políticos do passado. Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo acreditam que não.
Os sinais de desgaste aparecem na queda da popularidade do presidente e nos elevados índices de rejeição, mesmo em um cenário no qual indicadores econômicos seguem sustentados por expansão fiscal, aumento de gastos públicos e incentivos ao consumo.
Mudanças no Brasil
Para Alexandre Manoel, da Global Intelligence and Analytics, o problema central é que o Brasil mudou profundamente do ponto de vista econômico, social, institucional e cultural.
A sociedade se tornou mais descentralizada, conectada e orientada à geração de renda individual. Ao mesmo tempo, internet e redes sociais desmontaram a antiga concentração de poder sobre a informação e a formação de narrativas públicas.
Consequências da estratégia
Relatórios de instituições financeiras apontam uma nova rodada de medidas de forte apelo popular somando R$ 140 bilhões com vistas à reeleição. Na conta estão programas como o “Desenrola 2.0”, as facilidades para o consignado e os programas de crédito para a aquisição de caminhões.
Também estão contabilizadas a extinção da chamada “taxa das blusinhas”, com impacto estimado em R$ 1,2 bilhão entre maio e outubro de 2026, e a subvenção no preço da gasolina, cujo custo projetado é de R$ 1,22 bilhão por mês.
Fonte: Gazeta do Povo
Fonte: Gazeta Economia


