Introdução
A confiança empresarial no Brasil registrou em março a segunda queda consecutiva, atingindo 91,9 pontos. Esse desânimo é puxado por vários fatores, incluindo a manutenção dos juros altos, a incerteza com as eleições presidenciais de 2026 e o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços.
Os Principais Motivos do Desânimo
O juro básico do país, a taxa Selic, é visto como o maior obstáculo, atualmente em 14,75%. Isso torna o crédito caríssimo, fazendo com que 62% das indústrias prefiram usar apenas dinheiro próprio para investir. Com juros tão altos, muitos projetos de expansão e modernização acabam engavetados porque não valem o risco financeiro.
O Impacto do Conflito no Oriente Médio
A guerra gera instabilidade global e mantém o preço do petróleo perto de US$ 100 por barril. Isso encarece os combustíveis e o transporte de mercadorias no Brasil, pressionando a inflação. Quando os preços sobem lá fora, o Banco Central brasileiro tende a manter os juros altos por mais tempo para evitar que a inflação interna saia do controle.
Desemprego e Consumo
Embora o desemprego esteja em 5,8%, o nível mais baixo desde 2012, as pessoas sentem que as vagas criadas são precárias. Mais da metade dos brasileiros acha difícil conseguir trabalho, apontando problemas como a informalidade e os baixos salários. Essa percepção negativa faz com que o consumo perca força, gerando um ciclo de baixo crescimento.
Eleições e Investimentos
Sim, as eleições de 2026 influenciam os investimentos. Historicamente, anos eleitorais no Brasil trazem volatilidade e incerteza sobre as regras do jogo. Embora o governo acelere obras públicas para mostrar serviço, os investidores privados ficam cautelosos e preferem esperar o resultado das urnas antes de aplicar grandes quantias de dinheiro em projetos de longo prazo.
Setor de Infraestrutura: Uma Exceção
O setor de infraestrutura é a exceção, mostrando um viés positivo impulsionado pelo ciclo eleitoral e por contratos de concessões privadas que já estavam assinados. Construções pesadas e grandes obras tendem a ganhar ritmo neste período, servindo como um contrapeso ao pessimismo que domina o comércio e a indústria fabril.
Fonte: Gazeta Economia


