Introdução
A confiança empresarial no Brasil está em declínio devido a vários fatores, incluindo juros altos, eleições e a tensão no Oriente Médio. O Índice de Confiança Empresarial (ICE), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), recuou 0,4 ponto em março, para 91,9 pontos, representando a segunda queda consecutiva do índice após cinco meses em alta.
Juros Altos e Incerteza
A taxa de juros Selic é o principal obstáculo à confiança empresarial. O corte recente de apenas 0,25 ponto percentual é insuficiente para destravar a indústria. A taxa atual, em 14,75%, está entre as maiores nominais do mundo e, em termos reais, também é uma das mais elevadas globalmente, atrás apenas da Turquia.
De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o percentual de empresas que não pretende investir é elevado, principalmente por conta dos juros altos, o que prejudica o aumento da produtividade que a economia brasileira precisa.
Impacto no Setor de Infraestrutura
Em ano eleitoral, governos tendem a acelerar obras públicas para demonstrar realizações, criando demanda temporária por construção pesada. Além disso, contratos de infraestrutura já assinados tendem a se materializar neste período.
O setor de infraestrutura apresenta viés mais positivo, ancorado na dinâmica eleitoral. Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV-Ibre, explica que o setor de infraestrutura mostrou maior otimismo, impulsionado pela expectativa de crescimento em 2026 com base em investimentos privados já contratados e no ciclo eleitoral.
Desafios e Perspectivas
A pressão de custos, alimentada tanto pelo cenário político interno quanto pela turbulência externa, complica ainda mais o quadro. Segundo a CNI, 23% dos industriais não pretendem investir em 2026, citando incertezas econômicas.
O conflito no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo aumentam a cautela entre empresários. A cotação, que tem oscilado próxima de US$ 100 por barril desde o início do conflito, não apenas encarece combustíveis e logística, pressionando a inflação doméstica, mas também gera temor de gargalos no fornecimento de insumos globais.
Fonte: Gazeta Economia


