O “Abril Vermelho” do MST
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) realizou o chamado “Abril Vermelho”, que incluiu invasões de terras, ocupação de prédios públicos, mobilizações e marchas em 13 estados e no Distrito Federal em apenas 15 dias. De acordo com um balanço divulgado pelo próprio grupo, os atos reuniram cerca de 16 mil militantes em 20 municípios.
Ações do “Abril Vermelho”
As ações incluem invasões de terras consideradas por militantes como improdutivas, além da ocupação de sedes de órgãos públicos como o Incra. O MST afirma que ainda há cerca de 145 mil famílias acampadas à espera de assentamentos.
As ações do “Abril Vermelho” fazem parte da chamada Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, que segue até o dia 17 de abril, data que marca os 30 anos do episódio que ficou conhecido como “Massacre de Eldorado do Carajás”, no Pará, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos em um confronto com a polícia no ano de 1996.
Mobilizações em diferentes estados
Segundo o balanço do MST, o principal foco das atividades ocorreu no Pará, com atos simbólicos e marchas com cerca de 3 mil militantes. Já no Tocantins, famílias ligadas ao movimento ocuparam áreas que, segundo eles, seriam terras públicas ou alvo de irregularidades, enquanto no Maranhão e na Paraíba manifestantes ocuparam prédios federais para pressionar por avanços na reforma agrária.
Na Bahia, uma marcha de mais de 2 mil pessoas percorreu cerca de 120 quilômetros até Salvador, onde representantes do movimento se reuniram com o governo estadual. O objetivo foi apresentar demandas e discutir a implementação de políticas públicas voltadas ao campo.
Relações com o governo
Em meio às mobilizações, o MST reafirmou a estratégia de pressão por meio de invasões e atos públicos, o que pressiona diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliado histórico do movimento. No entanto, ao longo deste terceiro mandato, as relações têm sido conturbadas por conta da lentidão no andamento da reforma agrária.
O MST enviou uma dura carta ao presidente cobrando o assentamento de 122 mil famílias organizadas em 1,2 mil acampamentos no país. O movimento ainda acusou o governo de morosidade, que estaria potencializando “ainda mais os conflitos sociais”.
Fonte: Gazeta Brasil


