PolíticaRomeu ZemaZema tenta acordar obra do metrô de BH adormecida há quatorze anos

Zema tenta acordar obra do metrô de BH adormecida há quatorze anos

Projeto de ligar a Praça Sete à Savassi em via subterrânea nunca saiu do papel, apesar de 'mutirão' político estadual pelo projeto em 2012

A Praça Sete amanheceu em um dia de setembro de 2012 com um maquinário utilizado para perfurações de solo. Uma área foi isolada para que o equipamento pudesse ser operado. Numa faixa estendida próxima ao maquinário lia-se ‘Metrominas’, a empresa estadual então responsável por estudos de expansão do metrô de Belo Horizonte, hoje privatizado. Faltava cerca de um mês para a eleição municipal. A capital mineira tinha naquele momento Marcio Lacerda (PSB) como prefeito, em disputa pela reeleição, Antônio Anastasia, à época no PSDB, como governador, e Aécio Neves (PSDB) como um dos três senadores do estado. Os dois partidos, além de outras legendas, formaram uma aliança em torno de Lacerda.

O motivo do maquinário na Praça Sete era a realização de estudos do solo para a construção de uma linha subterrânea de metrô na cidade ligando a Lagoinha, na região Central, à Savassi, na região Sul, que nunca saiu do papel. Quase 14 anos depois, também em ano eleitoral, só que para definição dos cargos de presidente da República, governos estaduais e deputados, a obra foi ressuscitada. Ontem, o governador Romeu Zema (Novo) anunciou a assinatura de um termo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para desenvolver um projeto de construção para a linha.

O anúncio foi feito pelo governador tendo ao seu lado o vice, Mateus Simões (PSD), que é candidato ao Palácio Tiradentes em outubro. No próximo dia 22, Simões assumirá o governo, já que Zema irá deixar o cargo para tentar viabilizar sua candidatura a presidente. Durante o anúncio, Simões negou intuito eleitoreiro na obra. “Não tem estratégia de eleição porque isso nos indicaria a usar as obras que a gente já tem andamento, mas tem um compromisso com quem vem depois. Para a gente poder falar numa possível concessão desse trajeto ao longo dos próximos 5 anos, nós precisamos que esse projeto seja feito agora”, justificou, como mostrou reportagem de O TEMPO nesta segunda-feira(9/3).

O ex-prefeito Marcio Lacerda, que venceu a eleição, disse em entrevista recente ao jornal, disse que a obra não foi adiante porque não houve entendimento entre os partidos no comando da prefeitura, do estado e da União. Em 2012 era governado por Dilma Rousseff (PT). Segundo informações do governo de Minas à época, o furo na Praça Sete foi o primeiro de um total de 150 que seriam feitos nas prospecções necessárias para a realização da obra. O trabalho, segundo informado pela Metrominas à época, era para subsidiar os projetos de engenharia com informações sobre a resistência das camadas de solo e o nível subterrâneo de água.

A estratégia do atual governo para ressuscitar aborda o projeto de outra maneira. Conforme o anúncio de ontem, o termo fechado com o BID prevê aporte de R$ 500 mil que serão utilizados para a contratação de consultores especializados na área para avaliar os estudos existentes sobre a linha Lagoinha-Savassi. Concluída esta etapa, as informações servirão de base para a contratação do estudo de concessão para o trecho. Além da linha entre a região central e sul da capital, foi anunciada também o mesmo procedimento para trajeto entre Contagem e Betim, ambas cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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