O governador Mateus Simões (PSD) destinou a maior parte dos seus primeiros dias de mandato para o que chamou de “visitas-surpresa” aos sistemas estaduais de saúde e de segurança. Esteve no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, e no Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital.
No João XXIII, afirmou ter visto a necessidade de obras e citou que pacientes ainda estão sendo atendidos nos corredores. Estabeleceu um prazo de dez dias para a apresentação de um cronograma de intervenções estruturantes.
Na Dutra Ladeira, o governador anunciou que vai instalar bloqueadores de sinal de celular, reformar muros e guaritas. Disse ainda que vai pagar do próprio bolso obras na capela do presídio.
A estratégia de Simões abre dois flancos para ataques rivais: um, ao próprio governador; o outro, ao antecessor e principal aliado, Romeu Zema (Novo). Com relação ao seu cargo atual, Simões, quando vice, já mantinha uma atuação relevante no comando do estado. Sua força é anterior até mesmo à participação na chapa vitoriosa de Zema para o segundo mandato, em 2022. Começou, na verdade, quando virou secretário-geral do estado, em 2020. Apontar problemas agora pode gerar a pergunta: “mas como não sabia de tudo isso?”.
Com relação a Zema, ao enumerar problemas na saúde, educação e segurança, Simões joga contra a vitrine que o ex-governador deverá apresentar durante a sua pré-campanha ao Palácio do Planalto. É verdade que Zema vem se concentrando muito mais em atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo de um de seus possíveis adversários em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não existe campanha sem que se cite exatamente saúde, educação e segurança, pelo menos.
Rodoanel
Outra parte da agenda de Simões em seus primeiros dias de governo foi reservada também para uma “ida surpresa”, na segunda-feira (23/3), à reunião de conciliação da ação judicial sobre o Rodoanel. A via ligará as duas pontas da BR-381, na chegada à capital, vindo de São Paulo, e na saída, em direção a Vitória (ES), desafogando o Anel Rodoviário.
Desta vez, porém, Simões atuou como linha auxiliar de Zema. O governador afirmou que o governo Lula, via Ministério da Integração Racial, que enviou representante à audiência, colocou entraves ao projeto em atitude que Simões classificou como de natureza política. O projeto foi paralisado, no ano passado, em decisão judicial, para discussão sobre os impactos da obra na população quilombola que vive na região a ser cortada pela rodovia.
Conforme Simões, o ministério de Lula se prontificou a ajudar no imbróglio, mas não apontou formas para que isso ocorresse. Com o impasse, o governador afirmou que poderia retirar os recursos da obra, um total de R$ 5 bilhões, e transferi-los para a expansão do metrô da capital.
As críticas do governador foram repassadas pelo Aparte ao governo federal, que ainda não se posicionou sobre as declarações do chefe do Poder Executivo estadual.


