A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã empurrou novamente as cotåes internacionais do petróleo para patamares que não eram vistos desde o início de 2025. Nesta quarta-feira (4), o Brent, principal referência de preço internacional, opera próximo de US$ 84 (R$ 435,67) por barril, após avanço de cerca de 12% em dois dias.
Na véspera, o Brent fechou em alta de 4,7%, a US$ 81,40 – maior valor em 14 meses. O WTI, referência nos Estados Unidos, encerrou o dia a US$ 74,56, também com ganho de 4,7%. O movimento reflete o temor de interrupções no fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo global da commodity.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter “controle total” da passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Horas depois, o presidente Donald Trump disse que a Marinha americana poderá escoltar navios e que ordenou o fornecimento de seguros a “preço razoável” para o transporte na região.
Empresas de navegação relatam embarcações paradas e reavaliação de rotas após ataques a petroleiros e ameaças de bloqueio. Além do risco logístico, a guerra já provoca paralisações pontuais na produção e o fechamento de infraestrutura energética no Oriente Médio, elevando o temor de uma nova crise global de energia.
Segundo analistas, a sustentação de preços acima de US$ 80 dependerá da duração e da intensidade das interrupções. Estoques estratégicos elevados em países da OCDE e na China, além de volumes expressivos em trânsito e armazenamento flutuante, funcionam como amortecedor no curto prazo.
Em cenários-base traçados por consultorias internacionais, o Brent poderia permanecer na faixa dos US$ 80 em março e recuar para a casa dos US$ 70 nos meses seguintes. Num cenário extremo, com destruição relevante de infraestrutura, não se descarta pico acima de US$ 100.


