O governo de Minas pretende aprofundar os estudos para ampliar o metrô de Belo Horizonte, por meio da criação das linhas 3 e 4. Nesta segunda-feira (9/3), o Executivo assinou um Acordo de Cooperação Técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para viabilizar recursos no valor de R$ 500 mil para projetos técnicos, definição de tecnologias e métodos construtivos e à elaboração do Termo de Referência completo da ampliação. O anúncio acontece a poucos dias do governador Romeu Zema (Novo) deixar a administração estadual para viabilizar a candidatura à Presidência da República em 2026.
De acordo com informações do governo de Minas, o projeto da Linha 3 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte prevê 4,23 quilômetros de extensão, com seis estações, conectando a Savassi à Lagoinha. A previsão é que o investimento seja de R$ 4,8 bilhões e que a linha atenda cerca de 93 mil passageiros por dia até 2035.
Já a Linha 4 deve ter 22,6 quilômetros de extensão e ligará Contagem ao Terminal Betim, utilizando a faixa ferroviária e a Avenida Marco Túlio Isaac. O projeto inclui 18 estações e um terminal, integrando Trem Metropolitano e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Neste caso, o valor é estimado em R$ 4,5 bilhões e a expectativa é de funcionamento até 2045.
“Não fazer planos significa não executar, e infelizmente é isso que foi feito ao longo da história da mobilidade em Minas Gerais. A gente não teve projeto das grandes aplicações do Estado, nós tivemos que fazer os projetos nos últimos anos”, disse o vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), negando que o anúncio trata-se de estratégia eleitoral, considerando que haverá pleito em outubro deste ano.
“Não tem estratégia de eleição porque isso nos indicaria a usar as obras que a gente já tem andamento, mas tem um compromisso com quem vem depois. Para a gente poder falar numa possível concessão desse trajeto ao longo dos próximos 5 anos, nós precisamos que esse projeto seja feito agora”, afirma Simões.
Projeto antigo
Em 2012, o então prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, havia iniciado estudos geológicos para viabilizar a linha 3. A ideia também era que o trecho ligasse a Savassi à Lagoinha, de forma subterrânea. O ex-prefeito da capital disse que o projeto não caminhou em Brasília na época por divergências entre os partidos no comando de Belo Horizonte, do estado e do Brasil.
Conforme o governador Romeu Zema, os projetos que foram elaborados no passado podem ser reaproveitados no momento, mas levando em consideração as novas tecnologias e possíveis modificações para atender os regulamentos. Durante coletiva de imprensa, o chefe do Executivo ainda reforçou a necessidade de uma atuação conjunta entre as cidades da região metropolitana para tirar o projeto do papel.
“Há cerca de 25 anos, pelo que eu tenho conhecimento, por questões políticas ou por falta de cuidado, de critério, cada município passou a operar isoladamente aquilo que considerava ser o melhor para cada. E com isso, a região metropolitana perdeu muito”, diz Zema. “O Estado não quer patrocinar, tomar à frente. O Estado quer alertar da importância dos municípios trabalharem em conjunto, da importância desse condomínio operar e cooperar.”


