RIO DE JANEIRO. A TV Globo reuniu, na noite dessa segunda-feira (9/3), elenco, autores e convidados para o lançamento de “A Nobreza do Amor”, nova novela das seis que estreia no próximo dia 16. O evento luxuoso, foi realizado na Ilha Fiscal, um dos pontos históricos da cidade do Rio de Janeiro. Dessa vez, o local, que ficou marcado por sediar o último baile da monarquia, em 9 de novembro de 1889, dias antes da Proclamação da República – também recebeu a festa de 30 anos de Bruna Marquezine – exaltou a cultura e o povo negro, elementos centrais da trama.
A decoração trazia cores vibrantes e intensas; no repertório musical, uma playlist apenas com intérpretes negros – depois, o cantor Feyjão, acompanhado de sua banda Panela de Pressão, animou a noite; depois, foi a vez do trio Africanize Sessions subir ao palco e encerrar o evento. Entre os convidados, estavam desde os atores, influenciadores e ex-BBBs – a maioria negros. Marcaram presença os ex-BBBs Fred Nicácio, Aline Patriarca, Giovana Pitel, Camila e Thamiris Maia. Sabrina Sato também esteve na Ilha Fiscal, acompanhando o marido, o ator Nicolas Prattes, que interpreta o vilão Mirinho em “A Nobreza do Amor”.
Erika Januza destaca o protagonismo negro
O clima era de alegria e descontração entre o elenco, que celebrou a novela e encarou uma maratona de entrevistas. Mineira de Contagem, Erika Januza interpreta a rainha Niara em “A Nobreza do Amor”, destacou o protagonismo negro na trama. “Quando eu para pensar lá atrás, que eu não tinha nem noção de que ‘Suburbia’, que foi meu primeiro personagem, que ela faria história porque ela estava ali como protagonista negra e eu não tinha noção do tamanho que ela era. Com o passar do tempo eu fui entender e hoje ainda eu sinto isso porque as pessoas falam muito pra mim sobre ‘Suburbia’, mesmo tendo sido em 2012. E tantos anos depois, eu poder viver uma rainha negra na TV, sendo mãe de uma princesa negra… nunca tivemos isso no audiovisual”, afirmou.
“Então acho que de lá pra cá a gente caminhou e conquistou muita coisa. Eu digo a gente porque eu, enquanto atriz, acho que as pessoas, enquanto telespectadores, podem assitir e ver diversidade na TV, em uma história que está sendo contada e que fala de dramas de um reino. A gente não está falando sobre personagens escravizados, marginalizados; a gente está contando outro recorte, de uma África que sempre existiu e que muita gente, as vezes, não tem nem noção da grandiosidade que é”, observou a mineira.
Lázaro Ramos ‘pede demissão’ na festa
Lázaro Ramos, que interpreta Jendal, o grande vilão de “A Nobreza do Amor” – o primeiro papel de vilania dele na TV -, brincou e vibrou com o novo trabalho. “Eu pedi (para fazer esse papel) e estou arrependido porque todo mundo me perguntou se eu estou pronto para ser odiado hoje, aqui. Eu queria pedir demissão nesse momento”, disse ele, aos risos. “Eu sou nepobaby porque eu sou primo de Elisio (Lopes Jr., um dos autores da novela). Eu não estou aqui por talento, mas porque sou primo de um dos autores e amigo dos outros”, completou ele, arrancando gargalhadas das pessoas que o escutavam.
“Esse primo querido, que a gente dividiu escritório por anos, um dia me falou ‘lê a novela para ver o que você acha’. Eu li e fiquei encantado, veio uma paixão como não vinha há muito tempo para fazer um trabalho. Eu pedi para fazer. E ele falou: ‘Não faça isso. A gente queria que você fizesse, mas você está em outra novela’. Eu desliguei na cara dele e liguei para o Zé (José Luiz Villamarim, diretor do núcleo de teledramaturgia da Globo) e para a Bel (Izabel de Oliveira, uma das autoras de ‘Coração Acelerado’), eles foram generosos e me deixaram vir aqui para estar junto com vocês”
A trama
Criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., “A Nobreza do Amor” aposta em uma fábula afro-brasileira que aproxima Brasil e África. A história mistura romance, aventura e disputas de poder ao acompanhar o encontro improvável entre uma princesa africana e um trabalhador de engenho do Nordeste.
“Acho que a maior importância dessa história é a gente ilustrar essa África nobre, cheia de cultura, de história, de beleza, que é a África que nos constituiu. O meu desejo é que o telespectador que veja essa África, olhe e diga ‘eu vim daí, eu também sou nobre’. Eu quero que as pessoas encontrem essa nobreza”, disse Duca. Júlio concordou com a parceira de escrita e completou: “Esse é um dos grandes objetivos da novela que existe uma nobreza dentro de cada um de nós. E nós, como Brasil, nos reconhecermos como herdeiros dessa herança africana”.
Elisio contou que a vontade de escrever uma história como a de “A Nobreza do Amor” nasceu como “um sonho de pai”. “Eu tenho três filhas, três meninas pretas. Um dia eu sentei para assistir um filme com elas, e a primeira cena tinha uma chacina de pessoas pretas – (algo) normal, só que para elas, não. ‘Por que estão matando todo mundo, pai?’. Pra mim aquilo foi muito chocante. Eu desliguei a televisão e eu disse ‘vamos assistir (Mundo) Bita ou outra coisa porque não está dando para apresentar para vocês a dramaturgia”, relatou.
“A partir daí nasce uma pulguinha, um desejo, um sonho, de colocar ali, em algum lugar, histórias onde elas se vejam e digam ‘eu sou linda, eu sou bonita, eu posso ser amada, eu não preciso ser agredida, eu não preciso ser vítima de ninguém, eu posso ser a que é desejada e que decide o caminho da sua história”, explicou Elisio.


