BRASÍLIA — O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) deixará a liderança da bancada do PT na Câmara dos Deputados, cargo que ocupou em um período marcado por embates políticos. O posto será assumido pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC), que passa a comandar a bancada em um ano encurtado pelo calendário eleitoral.
A posse do novo líder está prevista para esta terça-feira (3/2), às 12h30, em um ato na Liderança do PT na Câmara dos Deputados. A cerimônia terá a presença da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do presidente nacional do PT, Edinho Silva, além de parlamentares da bancada.
Em manifestação, Lindbergh afirmou que deixa a liderança com o sentimento de dever cumprido e destacou que seguirá atuando na defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e das pautas do partido no Congresso. Segundo ele, a liderança exigiu enfrentamentos duros e posicionamentos claros diante de temas sensíveis da agenda legislativa.
Ao longo do período à frente da bancada, Lindbergh imprimiu um perfil combativo, o que o levou a entrar em rota de colisão com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O ápice do desgaste ocorreu durante a tramitação do PL antifacção, quando houve rompimento de diálogo entre os dois após a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para a relatoria da proposta.
No entanto, no encerramento dos trabalhos legislativos, o clima entre as lideranças se tornou menos tensionado. Lindbergh chegou a afirmar que divergências e desavenças fazem parte do jogo político e que o diálogo foi sendo recomposto gradualmente.
O novo líder do PT, Pedro Uczai, é professor, catarinense e exerce atualmente seu quarto mandato como deputado federal. Ex-prefeito de Chapecó, Uczai construiu sua trajetória política com ligação à área da educação e a movimentos sociais do Sul do país. Diferentemente do antecessor, é visto por aliados como um parlamentar de perfil mais discreto e conciliador, com atuação menos voltada ao confronto direto.
Uczai assume a liderança do partido em um ano legislativo encurtado pelo calendário eleitoral e marcado pela preparação para as eleições de 2026. A expectativa dentro do PT é usar o período para avançar em pautas de apelo popular, com foco em agendas sociais e econômicas capazes de fortalecer a base do governo e criar um ambiente favorável ao projeto de reeleição de Lula.


