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Pressão de Trump sobre o petróleo pode fazer regime de Cuba cair após seis décadas? Entenda

População da ilha latino-americana convive com restrições a serviços básicos

Cuba está no radar dos EUA pelo menos desde a independência do país latino-americano no século 19, quando os norte-americanos se envolveram no conflito contra os espanhóis. A tensão entre os dois países nunca se dispersou completamente e agora alcança um novo pico com o bloqueio de importação de petróleo para a ilha determinado pelo presidente Donald Trump. Com a nova medida, que coloca em risco serviços básicos para a população cubana, o regime socialista pode cair?

Após derrubar Nicolás Maduro na Venezuela e assumir o controle da produção petrolífera do país, Trump cortou o fornecimento do combustível venezuelano a Cuba e, em seguida, ameaçou com tarifas vizinhos que continuassem a importá-lo aos cubanos.

A asfixia surtiu efeito e corrói o dia a dia dos cubanos. Horários do transporte público foram reduzidos, a tarifa dos táxis privados disparou, escalas de trabalho foram reduzidas, e aulas presenciais de universitários foram suspensas. Aviões já não conseguem ser abastecidos no país, e hotéis começaram a fechar as portas temporariamente.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, admitiu negociar com os EUA, desde que haja respeito à soberania de Cuba. Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo cubano “está nas últimas”.

O pesquisador do King’s College Brazil Institute, em Londres, João Paulo Nicolini avalia que, em um governo tão imprevisível quanto o de Trump, uma intervenção direta na ilha, como a realizada contra Nicolás Maduro na Venezuela, não pode ser descartada. Mas, diferentemente da Venezuela, cujo petróleo desperta interesse econômico, Cuba teria pouco a oferecer aos norte-americanos para compensar um movimento dessa envergadura.

“Eles não têm muito mais o que procurar em Cuba. Vejo isso muito mais como uma necessidade de o governo americano manter o apoio da comunidade cubana [legalizada] que mora na Flórida, que é um estado chave para a política. O secretário de Estado, Marco Rubio, tem esse interesse. É uma bandeira mais ideológica. Não haverá nenhuma ExxonMobil ou Chevron querendo explorar Cuba”, pondera o analista.

Caso Trump decida levar adiante as pressões econômicas e fragilizar ainda mais o regime cubano, haveria pouca margem de manobra para Díaz-Canel, reflete Nicolini. A China e a Rússia manifestaram apoio ao governo cubano, mas esse mesmo apoio não surtiu qualquer efeito sobre a queda de Maduro, por exemplo. “É muito difícil uma negociação em que os americanos não ditem as regras. Tentar tomar Cuba é muito mais fácil do que a Venezuela”, pontua o pesquisador.

Outro aliado de Cuba, o governo de esquerda do México, liderado por Claudia Sheinbaum, afirmou que as medidas dos EUA são “injustas”. Para Nicolini, o país da América Central não tem espaço para apoiar os cubanos muito além desse passo. “Os mexicanos não querem se indispor com os americanos. O que os mexicanos tentam dizer é que há uma crise humanitária em Cuba, para de alguma forma dar um respiro a ela”.

Os EUA são o principal parceiro comercial do México. Além da questão econômica, os próprios mexicanos já foram mais um país latino-americano ameaçado por Trump, que afirmou que cartéis dominam o país e sugeriu que uma ação militar poderia ser utilizada na região.

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