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O que dizem os vereadores que se abstiveram na votação sobre proibição de crianças no Carnaval de BH

Projeto, protocolado por vereadores do PL, foi aprovado em primeiro turno pela Câmara Municipal

Três vereadores de Belo Horizonte se abstiveram de votar no Projeto de Lei 11/2025, que restringe a participação de crianças em eventos de Carnaval na capital mineira. A proposta foi aprovada, em primeiro turno, por 24 votos a 13, em sessão tumultuada na Câmara Municipal de Belo Horizonte, na última terça-feira (3/2). O placar contou com três abstenções: do vereador Osvaldo Lopes (Republicanos) e das vereadoras Marcela Trópia (Novo) e Fernanda Altoé (Novo).

A proposta, que ainda precisa ser apreciada em segundo turno e sancionada pelo prefeito Álvaro Damião (União), obriga produtores de eventos públicos e privados a indicar, de forma clara e objetiva, a classificação etária das atrações.  Ainda segundo o projeto, crianças não poderão frequentar eventos classificados como impróprios para sua faixa etária, independentemente de estarem acompanhados pelos responsáveis. O descumprimento pode resultar em multa de R$ 1.000 aos organizadores, além da suspensão de autorização para edições futuras. A proposta foi apresentada pelos vereadores  Pablo Almeida, Sargento Jalyson, Uner Augusto e Vile, todos filiados ao Partido Liberal (PL).

Não há previsão para apreciação da matéria em segundo turno e, caso aprovado, o Executivo tem o prazo de 15 dias úteis para sancionar o projeto para que ele vire lei, o que torna improvável qualquer aplicação para o Carnaval deste ano, que acontece entre os dias 16 e 18 de fevereiro. A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o assunto. O espaço segue aberto.

Abstenções

A vereadora Fernanda Altoé, uma das parlamentares que se absteve na votação, apresentou um projeto substitutivo isentando a responsabilidade dos produtores e demais responsáveis das manifestações voluntárias e espontâneas do público presente. A parlamentar, que é um dos nomes cotados para compor como vice na candidatura de Mateus Simões ao governo de Minas, chegou a assumir a presidência da Câmara Municipal durante todo o mês de janeiro. No período, ela substituiu o presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos), que assumiu a prefeitura durante as férias de Álvaro Damião (União).

Outra parlamentar que se absteve na votação, Marcela Trópia (Novo) chegou a divulgar, na véspera da votação, um release em que se posicionava contra o Projeto de Lei 11/2025. “A gente pode até reconhecer que o Carnaval não é um ambiente que agrade a todas as famílias, mas isso não justifica o Estado querer substituir o papel dos pais. Cada família deve ter a liberdade e a responsabilidade de decidir se leva ou não seus filhos”, afirmou no texto.

Na Câmara Municipal, o vereador Osvaldo Lopes (Republicanos), que também se absteve na votação, é conhecido por pautas em defesa da causa animal. Ele é autor da lei que prevê o fim das carroças em Belo Horizonte. Ele justificou sua abstenção no Projeto de Lei que proíbe crianças no Carnaval alegando que a discussão “não estava madura”.

Confira abaixo a íntegra da manifestação dos parlamentares que se abstiveram na votação:

Marcela Trópia (Novo): “Ontem, eu decidi me abster do projeto que buscava proibir a participação de crianças no Carnaval de Belo Horizonte porque, além de ser um projeto dificílimo de ser implementado, duvido que vá mudar algo de concreto na proteção das nossas crianças e da infância. É um projeto que tomou um tempo terrível do poder legislativo para não produzir efeito nenhum. Eu sou contra a proposta como ela está, mas ao longo do debate foram apresentadas algumas sugestões, tanto da prefeitura quanto de outros parlamentares para que o texto pudesse ser aprimorado. Não vejo formas de aprimorá-lo, mas é importante garantir que o debate continue e eu acredito que a abstenção permite que essa sinalização seja feita. Agora, se o texto chegar com o mesmo teor que foi apresentado no dia de ontem, além de ser uma repetição pobre do estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), produzir efeito prático nenhum, não merece o apoio da Câmara Municipal”.

Fernanda Altoé (Novo): “Eu me abstive. É diferente de não votar. Acho importante destacar alguns pontos. O PL originalmente proposto (11/2025) não é para o Carnaval. Veja que é para eventos privados e públicos. Para retirar essa confusão, usei um termo mais genérico. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina a obrigação de classificação para qualquer evento público ou privado. E o Ministério da Justiça faz essa classificação. A meu ver, os pais e responsáveis têm direito de ter a informação clara e ostensiva sobre a classificação etária e conteúdo dos eventos (conforme portaria do Ministério da Justiça), e cabe a eles a tomada de decisão de levar ou não. Inclusive, destaquei no parágrafo primeiro do art 1º, que os organizadores e promotores de eventos não são responsáveis pelas manifestações voluntárias e espontâneas do público. Cabe a eles cumprir a exigência de informação do ECA, e aos pais e responsáveis escolher o ambiente cultural dos seus filhos. Obviamente, que eventual exposição que gere crime tipificado no ECA, será avaliada pelos Conselhos Tutelares e Infância e Juventude. A novidade da lei é trazer sanção administrativa para quem descumpre determinação do ECA, porque não havia qualquer previsão de responsabilidade administrativa para quem descumpre a exigência. Me abstive para poder votar o meu substitutivo, numa tentativa de média ponderada para conciliar interesses comuns a todos, que o cumprimento do ECA e a decisão consciente e baseada em informações pelos pais e responsáveis na escolha dos eventos culturais dos seus filhos crianças e adolescentes”.

Osvaldo Lopes (Republicanos): “A minha abstenção se deu porque entendo que o projeto, da forma como foi apresentado, ainda precisa de ajustes importantes. Trata-se de um tema sensível, que envolve infância, cultura e liberdade das famílias, e não pode ser tratado de forma simplista. Também acredito que não cabe à Câmara Municipal interferir diretamente na educação que pais e responsáveis dão aos seus filhos. O papel do Legislativo, nesse caso, deve ser o de garantir proteção, orientação e políticas públicas eficazes, e não impor decisões que pertencem ao âmbito familiar. Por isso, optei pela abstenção, defendendo que o debate seja aprofundado e que o projeto seja aprimorado antes de qualquer deliberação definitiva”.

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