BRASÍLIA – O senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) definiram, em reunião nesta quarta-feira (25/2), quem será o candidato do PL ao Senado Federal por Minas Gerais nas eleições deste ano. Duas cadeiras serão disputadas, e o PL pretende ter a segunda como moeda de troca para fortalecer o palanque para Flávio no estado.
A reunião privada ocorreu com promessa de sigilo sobre o resultado. As apostas internas da bancada indicam, entretanto, que o nome escolhido é o do deputado federal Domingos Sávio (PL-MG). Ele é o presidente do partido em Minas Gerais e, segundo interlocutores, recebeu sinal verde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As articulações a essa altura encaminham a segunda cadeira da chapa para o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que concorrerá à reeleição.
Filiado ao PL no passado, ele se reaproximou do partido em agosto, quando a manobra do líder na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), garantiu a ele a presidência da CPMI do INSS. O cargo também impulsionou a candidatura de Viana à reeleição, e as costuras recém-feitas em Minas Gerais pavimentam o caminho para uma aliança da centro-direita no estado.
Nesse cenário, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) sairia como candidato ao governo de Minas. O vice seria designado por União Brasil, e as cadeiras do Senado seriam partilhadas entre Domingos Sávio e o próprio Carlos Viana. O martelo ainda não foi batido em relação ao palanque de Flavio em Minas Gerais. O PL cobiça o governador Romeu Zema (Novo) como um dos possíveis vices na chapa para a Presidência. Nesse cenário, o mineiro desistiria da própria candidatura, o que eliminaria um adversário e poria fim ao impasse em Minas.
Conciliação
O encontro da bancada do PL em Brasília nesta quarta-feira também serviu para apaziguar ânimos no partido e estreitar a aliança entre Flavio e Nikolas Ferreira. O deputado se sentou ao lado do senador na mesa principal e ouviu elogios dele. Flavio não escondeu que as definições sobre o posicionamento do PL em Minas passarão diretamente por Nikolas, principal cabo eleitoral do partido no Estado.
Flavio chora
O senador chorou durante a reunião com a bancada do PL. Ele comentava sobre a prisão do pai, o ex-presidente Bolsonaro, na Papudinha, em Brasília. “Todo mundo sofre. O Carlos sofre, eu sofro, a Michelle sofre…”, disse. O choro se intensificou quando ele comentou que viu “o lugar onde o pai dorme” no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda.
Com a candidatura colocada, Flavio passará pouco tempo em Brasília, mas defende que o pai terá papel preponderante na articulação política do PL. A benção continuará com Jair Bolsonaro. Fora da Papudinha, Flavio e o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, se dividem nas conversas com aliados. O senador já conversou com União Brasil e PP, e tem nos presidentes Antonio Rueda e Ciro Nogueira (PP-PI) aliados para a disputa. Valdemar esteve com Renata Abreu, presidente do Podemos e deputada por São Paulo.
O Republicanos, presidido por Marcos Pereira (SP), ainda é uma incógnita. Na sexta-feira (27), Flavio Bolsonaro se reunirá com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O encontro promete azeitar as relações entre as legendas. A ida a São Paulo marca o início das viagens de Flavio nesta pré-campanha. Nas próximas semanas, ele tem Goiás e Rio Grande do Sul na rota.


