Romântico, famoso e com carreira meteórica, João Raul é o cantor que move a trama de “Coração Acelerado”, atual novela das sete da Globo, e carrega o apelido que diz muito sobre seu apelo: “Mozão do Brasil”. O personagem marca a estreia de Filipe Bragança como protagonista em folhetins da emissora e coloca o ator em seu momento de maior exposição na televisão.
“Eu encaro esse momento com muita gratidão e responsabilidade. É um lugar de visibilidade que todo ator sonha, mas que também pede presença e consciência. Tenho tentado viver isso com os pés no chão, celebrando o caminho até aqui e entendendo que é mais um capítulo de um processo que eu construo há anos”, afirma ele.
Assumir o protagonismo de uma novela diária significa lidar com uma rotina intensa de trabalho, mas para o ator, viver tudo isso tem sido uma experiência singular. “A maior delícia é poder contar uma história diariamente e sentir a resposta imediata do público. O desafio é o ritmo, que é muito intenso, exige foco, disciplina e entrega constante”, diz.
Versatilidade
João Raul reúne duas frentes importantes da trajetória de Filipe: atuação e música. Com formação em musicais, ele já tinha familiaridade com o canto em cena, mas encontrou no personagem uma linguagem diferente, ligada ao universo dos ídolos sertanejos contemporâneos. “Ele me despertou para um lugar de integração. Eu comecei minha carreira em musicais, então atuar e cantar ao mesmo tempo é algo que já tinha conhecimento, mas o João Raul é uma linguagem totalmente diferente. Tive que aprender a rebolar”, revela, aos risos. “Foi um convite para acessar emoções de forma mais orgânica, pois é um personagem muito humano que já está no imaginário coletivo por conta dos ídolos sertanejos, então é um desafio de criar um ídolo real e crível”, explica.
Para sustentar essa credibilidade, a preparação para interpretar o protagonista de “Coração Acelerado” incluiu uma imersão no repertório sertanejo. “O sertanejo sempre esteve presente na minha vida de alguma forma, principalmente por eu ser goiano, mas não é o gênero musical que eu mais escutava. Precisei de fato ouvir sertanejo como preparação para a novela e descobri muitas músicas e artistas incríveis. Hoje sou muito mais fã e conhecedor de sertanejo do que já fui na minha vida inteira. Esse repertório ajudou a trazer verdade para o João Raul, não só na música, mas na postura, no jeito de se relacionar com o público em cima do palco”, garante.
A ligação com Goiás, estado natal do ator e um dos principais polos do sertanejo no país, também ganha dimensão simbólica na novela da Globo. “É um orgulho enorme. Goiás tem uma cultura riquíssima, uma identidade muito forte, e ver isso representado na teledramaturgia, de uma forma tão digna, é um reconhecimento importante. Me sinto honrado de, alguma forma, fazer parte dessa narrativa”, celebra Filipe.
Vida nas artes
Ator desde a infância – iniciou aos 5 anos em publicidade, em Goiânia –, Filipe Bragança cresceu sob exposição pública e amadureceu junto com os personagens. Além de novelas, ele possui uma trajetória construída com trabalhos também no teatro e no cinema. Nos palcos, ganhou reconhecimento nacional ao interpretar Marius na adaptação brasileira de “Les Misérables”, papel que lhe rendeu prêmios de ator revelação. Na televisão, teve grande repercussão como Giovanni no remake de “Elas por Elas” (2023).
No audiovisual, participou de séries como “Dom”, “Justiça 2” e “Só Se For Por Amor”, além de longas-metragens variados. Entre eles está “Meu Sangue Ferve por Você”, no qual interpretou Sidney Magal, e o filme “100 Dias”, inspirado na trajetória do navegador Amyr Klink, previsto para estrear no segundo semestre deste ano – experiência que considera marcante. “Foi um divisor de águas. Interpretar uma figura real exige muito respeito e pesquisa. Esse papel me ensinou muito. Ele ocupa um lugar muito especial na minha trajetória”, afirma Filipe.
O processo de preparação física e emocional é descrito pelo ator como uma etapa central do trabalho. “A preparação é onde eu mais me encontro com o personagem. É ali que o corpo vai entendendo o que precisa fazer, como se mover, como ocupar o espaço. Não é algo que acontece de uma vez, é diário. E todo trabalho nos coloca em outro corpo, outro ritmo”, observa.
Para os próximos capítulos, o objetivo é seguir em movimento e buscar histórias que tragam desafio e sentido. “Quero viver personagens que me tirem do lugar comum, contar histórias que provoquem reflexão e continuar aprendendo. Acima de tudo, quero seguir curioso e apaixonado pelo ofício”, conclui.


