BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, na noite desta quinta-feira (22/1), com o presidente da China, Xi Jinping. A ligação ocorre um dia após a criação de um “Conselho de Paz” lançado pelo presidente americano, Donald Trump, para tratar da Faixa de Gaza.
Tanto Lula como Xi foram convidados por Trump para integrar o órgão, que atuaria de forma paralela à Organização das Nações Unidas (ONU) na resolução dos conflitos entre Israel e Hamas. Nenhum dos dois decidiu, até o momento, se vai participar.
No telefonema, Lula afirmou que Brasil e China detêm “papel central na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio”. Os dois presidentes reiteraram compromisso com “o fortalecimento das Nações Unidas como caminho para a defesa da paz e da estabilidade no mundo”, de acordo com o Palácio do Planalto.
Lula também anunciou que vai conceder a isenção de algumas categorias de vistos de curta duração a cidadãos chineses, em reciprocidade à medida de isenção adotada pela China desde 2025.
Segundo a emissora estatal chinesa CCTV, Xi disse a Lula que, na atual conjuntura internacional “tumultuada”, Brasil e China são “forças construtivas para a manutenção da paz e da estabilidade mundial”.
Xi também afirmou que os dois países devem “se manter firmes do lado certo da história, fazer esforços para defender seus interesses em comuns e do Sul Global e, conjuntamente, o papel central das Nações Unidas, assim como a justiça e equidade internacionais”.
Por fim, o presidente chinês disse que o país está comprometido a ser sempre um “bom amigo e parceiro dos países da América Latina e do Caribe”, de acordo com a estatal do país asiático.
Nos últimos dias, Lula tem conversado com diversos líderes globais sobre a situação em Gaza. Entre eles, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, dentre outros.
O convite para o conselho comandado por Trump gerou um impasse para Lula. O presidente brasileiro tenta se colocar como uma voz ativa no conflito no Oriente Médio, mas teme um enfraquecimento da ONU, defendida pelo governo como meio ideal de resolver impasses entre os países. Outro receio do Brasil é de que, pelo perfil de Trump e da maioria de seus integrantes, o conselho tenha posições pró-interesses de Israel.
O presidente Donald Trump lançou o Conselho de Paz na Suíça nesta quinta-feira cercado por cerca de 20 chefes de Estado, como os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña.
Aliados importantes escolheram não participar, entre eles Reino Unido, França e Alemanha. Rússia e China também não indicaram se pretendem aderir ao comitê. Entre os membros da União Europeia, apenas Hungria e Búlgaria decidiram assinar o ato de constituição.


