Entidades ligadas aos direitos humanos informam que Erfan Soltani, um jovem de 26 anos, será executado pelo regime iraniano na quarta-feira, 14. Ele foi preso no último dia 8, em sua casa, em Kurtis, por participar dos protestos contra o governo do Irã, que se arrastam desde o final do ano passado.
A sentença de Erfan é Moharebeh, chamada de “inimizade contra Deus”, considerada de alta gravidade e passível de pena de morte. O Irã é uma república islâmica que inclui instituições republicanas – como presidente, parlamento e eleições -, mas todo o poder está submetido à liderança e ao controle do aiatolá Ali Khamenei, chefe de Estado e líder religioso do país.
Conforme a ONG Hengaw Organization for Human Rights, após a prisão, Soltani passou por um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a direitos básicos e com pouca transparência. Sua família, segundo a entidade, ficou dias sem qualquer informação sobre o jovem. As autoridades iranianas só entraram em contato com os parentes no fim de semana, já para informar sobre a execução.
10 minutos para se despedir
As entidades afirmam ainda que a família teve direito a uma breve reunião com Erfan Soltani, por cerca de 10 minutos, apenas para se despedir. A irmã dele, que é advogada, tentou impedir a pena de morte por meios legais, mas não teve acesso aos autos pelas autoridades. Os familiares ainda teriam sido ameaçados caso se manifestassem publicamente sobre o caso.
O site de notícias IranWire informa que Erfan trabalhava na indústria do vestuário e havia ingressado recentemente em uma empresa privada. Nas redes sociais, costumava exibir interesses por esportes e musculação e, segundo pessoas próximas, era apaixonado por moda e estilo pessoal.
Ao mesmo site, uma fonte informou que Soltani já havia recebido mensagens ameaçadoras de agentes de segurança antes de sua prisão e chegou a avisar à família que estava sendo vigiado. Ainda assim, ele se recusou a recuar e permaneceu participando dos protestos. O órgão responsável por sua prisão, julgamento e eventual execução não está totalmente claro.
Embora familiares afirmem que a execução esteja confirmada, a organização Iran Human Rights (IHRNGO, na sigla em inglês) lembra que a República Islâmica já utilizou a estratégia de anunciar sentenças de morte como forma de coibir manifestações e pressionar familiares.


