InternacionalVenezuelaCrise na Venezuela cria ‘cisne negro’ no mercado financeiro

Crise na Venezuela cria ‘cisne negro’ no mercado financeiro

Momento é mais adequado para investidores mais consolidados do setor petroquímico

A mais recente crise na Venezuela, após a intervenção dos Estados Unidos (EUA) e a consequente prisão do ditador Nicolás Maduro, os preços do petróleo fecharam em alta no primeiro dia útil após os ataques militares em Caracas, nessa segunda-feira (05/12). A commodity oscilou durante o dia, com o mercado financeiro repercutindo as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, acerca do que fazer com o petróleo venezuelano.

Neste momento, com muita incerteza, volatilidade e até certa euforia de alguns investidores com a queda de Maduro, o especialista em investimentos e finanças e trader institucional da MIDE Mesa Proprietária, Ricardo Pegnoratto, avisa aos iniciantes: fuja do “hype” das ações da indústria petroquímica neste momento, mas considere sempre ter o setor em sua carteira de investimentos.

A questão é que, entre os eventos que afetam o mercado financeiro, o ataque norte-americano Caracas é o chamado “cisne negro” – um evento de extrema incerteza para os investidores, em que o desconhecimento impera sobre o que vai acontecer e quando vai acontecer.

Já outros eventos têm previsibilidade, como a divulgação da taxa Selic, por exemplo, em que o mercado financeiro sabe que vai acontecer e quando será realizada. Ou ainda têm incerteza e certa previsibilidade, como a guerra comercial iniciada com o tarifaço imposto por Trump, em que o mercado sabia que uma hora algum acordo seria feito, mas não quando.

Os “cisnes negros” do mercado financeiro, explica Pegnoratto, tendem a gerar uma volatilidade abrupta no momento que acontece e até alguns dias depois. Para o investidor inexperiente, aponta, o grande problema é entrar em ações de empresas do setor petrolífero que podem ser uma boa oportunidade, como ao mesmo tempo podem gerar prejuízo.

“No mesmo passo que o mercado pode precificar algo muito bom e ele tem um lucro muito bom, ele também pode reverter muito rápido. Então esse tipo de evento tende a ter oscilações de volatilidade muito altas”, disse.
Ele explica que investir em em setores de commodities, como petróleo, sempre será uma boa recomendação, já que é um tipo de ativo que no longo prazo tem uma precificação perene e está envolvido em toda a cadeia produtiva.

Mas o investimento não é recomendado em momentos como o do cisne negro. Quando eles acontecem, os grandes players do mercado financeiro já estão posicionados em ações como a de empresas como a Petrobras, por exemplo, e tendem a manipular a cotação, para que o preço suba mais um pouco do que deveria e atraia mais interessados em comprar as ações.

Ao “esticar” o preço para cima artificialmente, os grandes players vendem as ações em algum momento para poder ter o lucro planejado e quem “chegou depois” e comprou as ações tardiamente, na esperança de ver o preço subir ainda mais, se depara com o contrário – o preço despenca.

Até por isso, Pegnoratto ressalta que o investidor com intenção de apostar na indústria petroquímica está fora deste momento de volatilidade do setor. “Esse momento de ‘hype’ pertence aos que entenderam esses movimentos anteriormente e se posicionaram quando esses ativos estavam caindo. E são esses que se posicionaram lá atrás que agora também estão impulsionando o preço para então lucrar no momento em que o preço está só subindo”, explica.

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