Após o ditador Nicolás Maduro ser capturado pelos Estados Unidos, há uma expectativa sobre a postura que o Brasil deve tomar em relação ao país vizinho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se manifestou contra os ataques à Venezuela e também disse que o Itamaraty está monitorando as fronteiras. Durante o programa Primeira Análise, exibido no canal no YouTube na manhã deste domingo (4/1), o doutor em Direito Internacional Luís Renato Vedovato, avaliaram as medidas do Brasil e o posicionamento do presidente Lula sobre a prisão de Maduro.
Em publicação no X, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que os atos coordenados pelo governo norte-americano “ultrapassam uma linha inaceitável” e abrem “precedente extremamente perigoso” para toda a comunidade internacional. Além disso, defendeu que “a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”.
Conforme Luís Renato Vedovato, Lula não teria outra saída além de buscar o caminho do direito para lidar com a situação envolvendo a Venezuela. O Brasil não poderia optar, por exemplo, pelo conflito, já que não há possibilidade de investimentos em armamento enquanto outras áreas, como saúde e educação, seriam prejudicadas.
“Quando se vê uma norma sendo violada, especificamente a carta da ONU, não tem como um presidente agir de forma diferente”, diz o doutor em Direito Internacional. “As consequências disso vão acontecer, pode ser que presidente dos Estados Unidos entenda que é momento de esfriar as relações porque o Lula não fez o que ele gostaria que fizesse, mas assim a gente ficaria refém eternamente. Não vejo outra saída para o presidente do Brasil que não fosse dizer que houve violação ao direito internacional.”
A relação entre a esquerda brasileira e a Venezuela remete ao “chavismo”, ideologia inaugurada pelo ex-presidente Hugo Chávez, que ficou no poder entre 1999 e 2013, como lembra o mestre em Relações Internacionais. Maduro é sucessor de Chávez, entretanto, não teria a mesma habilidade de “mobilização” que o antecessor teve.
“Esse personalismo (de Maduro), essa ideia de que ‘o poder sou eu’ prejudicou a Venezuela. Para o Brasil, ter essa relação com a Venezuela agora é problemática”, diz Duboc. “É um parceiro histórico das esquerdas, mas não é uma pessoa que a esquerda consiga defender com facilidade”, avalia.
O especialista lembra, por exemplo, que diversas manifestações de figuras políticas da esquerda brasileira foram focadas na estabilidade da Venezuela, mas sem citar Maduro.
“Quando você defende a soberania, não está defendendo uma pessoa, mas a nação inteira. É nisso que temos que ficar atentos nas mensagens do governo”, pontua Duboc.


