BRASÍLIA – O Brasil participa nesta segunda-feira (5/1) de uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura e prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, no último sábado (3/1).
No momento, o Brasil não faz parte do Conselho de Segurança. O assento rotativo da América do Sul no órgão está sendo ocupado pela Colômbia, que convocou a sessão extraordinária desta segunda, após um apelo do governo venezuelano.
Mesmo assim, a expectativa é que o Brasil participe da reunião, assim como a própria Venezuela e outros países que não são membros do Conselho. O representante brasileiro no colegiado, Sérgio Danese, deve pedir a palavra para reafirmar a manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Itamaraty a respeito do tema.
Horas depois do ataque militar, Lula condenou os bombardeios e a captura de Maduro, afirmando que os atos “ultrapassam uma linha inaceitável” e configuram “uma afronta gravíssima à soberania do país vizinho, além de representar um precedente perigoso para toda a comunidade internacional”.
O presidente destacou que atacar países em flagrante violação ao direito internacional é “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”. E concluiu afirmando que o Brasil continua disponível para promover o diálogo e a cooperação, seguindo a atuação multilateral e reconhecendo a ONU como o fórum legítimo para resolver o conflito. Não citou os nomes de Donald Trump e Nicolás Maduro.
Na ausência de Maduro, que está preso em Nova York, o Brasil considera a vice-presidente Delcy Rodríguez como a chefe de Estado em exercício no país. Em pronunciamento, ela convocou apoiadores de Maduro e a população venezuelana a “resistir” à ofensiva dos Estados Unidos contra o governo do país.
No domingo (4/1), o Brasil participou de uma reunião de emergência da Comunidade de Estados Latino‑Americanos e Caribenhos (Celac), que terminou sem a emissão de nota conjunta ou qualquer posicionamento oficial do bloco, evidenciando a falta de consenso entre os países da região sobre a crise na Venezuela.
Até o momento, de acordo com o Itamaraty, não há previsão de contato direto do governo brasileiro com os Estados Unidos. Nos últimos meses, Lula vinha tratando da crise na Venezuela com o presidente americano, Donald Trump, e se colocou à disposição para atuar como um mediador do conflito.


