A possível renúncia da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), para disputar uma vaga no Senado em 2026 fez subir o nível de insegurança e ansiedade dentro da administração da cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O temor entre ocupantes de cargos de comando é o de que o vice-prefeito Ricardo Faria (PSD) promova uma ampla reformulação na estrutura do Executivo municipal.
Segundo apurações de O TEMPO, Marília e Ricardo Faria não teriam chegado a um acordo sobre o futuro do governo. O alto escalão da prefeitura tem se reunido para tentar um alinhamento mínimo. Tudo ainda sem sucesso: “Não há acordo”, respondem, categóricos, todos os integrantes do governo questionados pela reportagem.
Em uma das reuniões sobre o tema, os participantes tiveram que deixar os celulares do lado de fora para evitar vazamentos de informações. Marília teria sido direta com o vice-prefeito, afirmando que a manutenção da atual estrutura do governo seria uma condição para que ela deixasse o cargo e aceitasse a disputa pelo Senado.
Ela também teria cobrado de Ricardo Faria uma posição mais clara sobre o assunto. No entanto, a resposta dele não foi a esperada pela maioria dos presentes. “Ele desconversou”, afirmou um interlocutor.
Ricardo Faria e Marília têm mantido uma parceria de sucesso, mas sem muita intimidade. Durante as articulações para montagem da chapa de reeleição da prefeita, em 2024, vários nomes surgiram nos bastidores como possíveis substitutos de Faria, que chegou a vice em uma aliança entre o PT e o MDB, do deputado federal Newton Cardoso Jr.
Mas, na reeleição, Ricardo já não contava mais com o apoio do próprio partido, que queria trocar a indicação da legenda para compor a aliança com os petistas.
A decisão sobre a continuidade do vice-prefeito só foi tomada próximo do limite para definir as composições. Conforme circulou à época, a determinação contou com uma intervenção direta do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para convencer Marília a aceitar a continuidade de Faria na prefeitura, já com vistas às eleições do próximo ano.
Na época, Pacheco ainda era visto como o provável candidato de Lula nas eleições e trabalhava para ter a prefeita de Contagem em seu palanque. Contudo, de lá para cá, o contexto mudou. Pacheco já não é o nome com maior chance de representar Lula em Minas Gerais, e o PSD aceitou a filiação do vice-governador Mateus Simões (PSD), que será candidato a governador para tentar dar continuidade ao governo de Romeu Zema (Novo) e já anunciou que fará uma campanha baseada no discurso do “antipetismo”.
A troca nas secretarias de Contagem com atuação mais política é dada como certa e, até mesmo, considerada normal. O temor é que a onda de mudanças se espalhe pela estrutura da administração municipal, levando para dentro do governo novas lideranças. Não se afasta, inclusive, o risco de que o governo, até então construído com nomes vinculados aos petistas, acabe se aproximando da administração estadual.
Procurado, por meio da assessoria, para comentar o atual cenário de transição na prefeitura, Ricardo Faria não respondeu.


