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PIB de Brumadinho poderá encolher até R$ 5,4 bilhões após conclusão do acordo de reparação

Estudo da UFMG indica perda econômica caso a cidade não encontre atividades que substituam a paralisação da Mina Córrego do Feijão, da Vale

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), poderá sofrer uma redução de até R$ 5,4 bilhões em cerca de 20 anos em função do rompimento das barragens da Mina Córrego do Feijão, da Vale. A tragédia tirou a vida de 272 pessoas em 2019 e causou enormes prejuízos socioambientais.

Por mais que a cidade receba um montante vultoso de investimentos do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, a chamada “economia da reparação”, a própria desativação da Mina Córrego do Feijão causará o impacto econômico desta magnitude se a cidade não encontrar uma atividade econômica – ou um conjunto de atividades – que consiga recompor essa perda na economia da cidade.

A pesquisa da UFMG mostrou que 53% das empresas nos municípios atingidos pela tragédia de Brumadinho sofreram redução no faturamento depois do rompimento das barragens da Vale. Nas cidades do chamado “grupo controle”, formado por municípios similares aos atingidos e utilizados como comparação, este percentual foi de 31%.

Nestes municípios similares, 58% das empresas afirmaram que o faturamento se manteve ou subiu, enquanto nos municípios atingidos somente 44% das empresas tiveram a mesma avaliação. Cerca de 54% das empresas nos municípios atingidos atendia a mercados de outros municípios, percentual que era semelhante ao dos municípios similares (56%). Porém, após o rompimento das barragens, este número caiu 5% e agora alcança 49%.

Apesar disso, a pesquisa não identificou relatos de desemprego em Brumadinho, com exceção dos profissionais da mineração. Houve, sim, um aumento temporário do desemprego nos municípios atingidos, mas a pesquisa também destacou um posterior aumento de postos de trabalho pela chegada de empreendimentos ligados à reparação e reconstrução.

Acontece que os investimentos da economia da reparação têm aquecido a economia de Brumadinho e das outras cidades atingidas por um prazo determinado, mas ainda assim a região irá registrar uma perda econômica se não reestruturar a própria economia, explicou o coordenador do Projeto Brumadinho e professor do Departamento de Ciências Econômicas da Faculdade de Ciências Econômicas (FACE) da UFMG, Ricardo Ruiz.

“Quando essa economia da reparação se encerrar – e ela está se encerrando progressivamente em Brumadinho -, em algum momento vai-se notar que aquela unidade produtiva, que era muito importante para a economia, da mineração da Vale, a mina que colapsou e toda a infraestrutura no seu entorno, isso não voltará a atividade novamente”, disse.

Acordo de reparação não consegue recuperar economia no longo prazo
A simulação realizada pelos pesquisadores da UFMG projetou um cenário após a conclusão da economia da reparação, em que Brumadinho fique sem uma atividade econômica do porte da Mina Córrego do Feijão. Neste caso, a redução na economia da cidade será entre R$ 4,2 bilhões e R$ 5,4 bilhões em cerca de 20 anos. Sem o acordo de reparação, essa perda poderia ser algo entre R$ 6,7 bilhões e R$ 8,9 bilhões no período.

A pesquisa concluiu que a plena recuperação econômica de Brumadinho exige mais investimentos e/ou a atração de novos setores e atividades produtivas para a cidade. O acordo de reparação, sozinho, não consegue atingir seus objetivos de plena compensação econômica no longo prazo. Os efeitos positivos do acordo, ressaltou a UFMG, são insuficientes para evitar as perdas no período.

A desativação da unidade produtiva ou até mesmo a volta da sua operação, mas em escala menor, pode deixar um vazio na economia da cidade que afetaria direta e indiretamente outras atividades, como a redução do consumo nos setores do comércio e de serviços.

“Essas outras coisas na economia não são atividade mineradora, mas estão indiretamente relacionadas a ela. Esse pessoal também sofrerá algum tipo de dano, perda de renda, caso você não recomponha uma grande atividade que foi paralisada, que no caso, era a mina”, destacou o economista.

O professor da FACE avaliou que, agora, além da reparação, o trabalho a ser feito em Brumadinho é “arranjar outra economia”, com o desenvolvimento de outras atividades econômicas e a atração de novos negócios para substituir a mina da Vale.

“O município recebeu uma quantidade de recursos importantes, significativa, no acordo de reparação. A pergunta agora, que precisa de uma resposta – e nós veremos essa resposta no futuro – é se esse recurso está sendo utilizado para criar novas atividades econômicas com emprego e renda, que seja um emprego e renda de longo prazo”, argumentou Ruiz.

 

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