No extremo noroeste da Amazônia brasileira, onde rios são estradas e a floresta é lar de dezenas de povos originários, o médico Túlio Pereira natural de Coronel Fabriciano constrói diariamente uma trajetória marcada pelo compromisso com a vida, o respeito intercultural e a defesa do direito à saúde dos povos indígenas.
Atuando em comunidades indígenas do Alto Rio Negro, uma das regiões de maior diversidade étnica e linguística do país, Túlio exerce a medicina para além do consultório. Seu trabalho envolve longas viagens aéreas, fluviais, atendimentos em áreas de difícil acesso e uma prática clínica que dialoga com os saberes tradicionais, reconhecendo a importância da cultura, da língua e do modo de vida indígena no processo de cuidado.
A rotina do médico indigenista é desafiadora. São 30 dias de trabalho seguidos, sem regressar para casa. Em um território marcado por grandes distâncias geográficas e limitações de infraestrutura, ele atua na atenção primária à saúde, no acompanhamento de gestantes, crianças, idosos e no manejo de doenças infecciosas, crônicas e agravos relacionados às condições socioambientais da região. Mais do que tratar doenças, seu trabalho busca promover saúde, prevenir agravos e fortalecer a autonomia das comunidades.

“Cuidar da saúde indígena é entender que medicina não se faz apenas com protocolos, mas com escuta, respeito e presença”, destaca Túlio Pereira. Para ele, a atuação no Alto Rio Negro exige sensibilidade cultural, trabalho em equipe multiprofissional e um olhar ampliado sobre os determinantes sociais da saúde.
Além da assistência direta, o médico também contribui para a organização dos serviços de saúde indígena, participando de ações educativas, capacitação de agentes indígenas de saúde e articulações com lideranças comunitárias. Seu trabalho reforça a importância do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS) como política fundamental para garantir equidade no acesso à saúde.
Em um cenário onde os desafios logísticos e sociais são constantes, a presença de profissionais comprometidos como Túlio Pereira representa não apenas atendimento médico, mas também resistência, cuidado e valorização dos povos indígenas. Sua atuação no Alto Rio Negro evidencia que a medicina, quando aliada ao respeito cultural e à justiça social, torna-se uma poderosa ferramenta de transformação.


