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Forças de segurança rebatem Romeu Zema e apontam deficiências na área em Minas

Corporações afirmam que faltam pessoal, investimento em tecnologia e valorização dos servidores

Em meio ao envolvimento do governador Romeu Zema (Novo) nas pautas de combate à criminalidade, sendo um dos principais focos nas redes sociais do pré-candidato à Presidência da República em 2026, representantes das forças de segurança pública em Minas Gerais rechaçam a proximidade buscada pelo gestor com a categoria. O posicionamento contrário ao chefe do Executivo respinga também no vice-governador Mateus Simões (PSD) e pode se tornar uma pedra no sapato nos planos eleitorais da dupla para 2026.

Nos últimos dias, deputados do Partido Liberal (PL) com raízes na segurança pública têm rejeitado uma possível aliança em torno da candidatura de Simões ao Palácio Tiradentes. Na avaliação do presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil no Estado de Minas Gerais (Sindipol), Wemerson Oliveira, a insatisfação está atrelada a fatores distintos.

“O teto do Zema não é nem de vidro, é de casca de ovo, porque ele tem feito uma propaganda em cima das forças de segurança, mas tem sucateado a Polícia Civil sistematicamente. Quando não se investe na polícia que faz a investigação, você não investe no combate ao crime organizado”, disse Oliveira.

O sindicato alega que a corporação tem um déficit de policiais que recebem o quarto pior salário do país. Outra crítica diz respeito à falta de equipamentos. “As viaturas da Polícia Civil não têm rádio de comunicação, os computadores têm mais de 16 anos de uso, não há um investimento em tecnologia”, pontuou o representante do Sindipol.

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Para o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, coronel Ailton Cirilo, os resultados positivos apresentados por Zema nas redes sociais no combate ao crime organizado refletem políticas de longo prazo.

No dia 20/11, por exemplo, o governador publicou um vídeo celebrando a prisão de 50 suspeitos de integrar o Comando Vermelho na Zona da Mata mineira. “O sucesso atual é fruto de políticas de longo prazo, como o Plano Estratégico da Polícia de Resultado e a valorização dos militares. A gestão atual colhe resultados que não são exclusivamente dela, já que muitos investimentos vêm de emendas parlamentares com empenho das forças”, salientou o coronel. Cirilo destacou que as duas corporações têm “déficit expressivo” no número de militares.

“A situação exige recomposição salarial, concursos regulares e investimentos na estrutura operacional. Há uma necessidade de modernização de equipamentos e estruturas. Cada força cumpre sua atribuição constitucional, mas todas precisam de condições adequadas para prestar serviço de qualidade. Déficit de pessoal e falta de estrutura são prioridades a serem resolvidas para uma segurança pública integrada e eficiente”, acrescentou.

Polícia Penal aponta desequilíbrio
Críticas pesadas também emergem de servidores da Polícia Penal, categoria que cobra do governo estadual um reajuste de 44% gerado por perdas inflacionárias. “Estamos fazendo mais com menos. As unidades estão superlotadas, enquanto temos um efetivo de polícia aquém”, relata o presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Minas Gerais (Sindppen-MG), Jean Otoni. A categoria reclama ainda do status de “departamento” dado à corporação pelo governo Zema.

“Hoje ainda somos vinculados à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) que é quem comanda ‘nossa casa’. Todos os nossos direitos são tirados porque o governo não reconhece a autonomia da Polícia Penal. Ele sequer reconhece nosso direito de estar no mesmo patamar da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros”, ressaltou Otoni.

Ainda sem impacto no cenário nacional

Para o cientista político Adriano Cerqueira, a movimentação crítica de servidores ao planejamento de Romeu Zema para 2026 só deve ser sentida em um cenário de disputa acirrada pelo Palácio do Planalto. “É uma questão muito pontual, que envolve mais o funcionalismo aqui, em Minas. Se o Zema conseguir chegar a um segundo turno, talvez esse assunto ganhe repercussão nacional”, analisa.

Cerqueira destaca que o governador pode se defender de possíveis críticas com a apresentação de indicadores de segurança pública do estado. A alternativa, porém, é colocada em xeque pelo Sindipol, que acusa o governo mineiro de mentir nas estatísticas oficiais relacionadas à criminalidade.

“O sistema está sendo fraudado. Um indivíduo que toma um tiro tem o caso registrado como lesão corporal; o que morre a caminho do hospital, como tentativa de homicídio. Isso muda completamente o índice de criminalidade”, denunciou o presidente do sindicato, Wemerson Oliveira.

Os interlocutores da campanha de Romeu Zema, no entanto, não veem, inicialmente, um impacto das críticas das forças de segurança à candidatura à Presidência. “Acredito que não atrapalha, até porque quem puxa essa rejeição sempre nos rejeitou. Desde o primeiro dia de governo. Fato é que as forças de segurança sempre foram tratadas com respeito pelo governo, mas existe um grupo ali que é oposição puramente por ser oposição”, afirmou o presidente do Partido Novo em Minas, Christopher Laguna.

 

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