No último fim de semana antes do Natal, consumidores que ainda não compraram os presentes para a data aproveitam este sábado (20 de dezembro) para ir às compras e não deixar tudo para a última hora. A expectativa dos lojistas é de que as vendas aumentem até a véspera, já que o movimento tem crescido, embora ainda não supere o registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o comércio da capital deve registrar movimento expressivo neste Natal. Mesmo diante dos desafios econômicos, a entidade estima que as vendas movimentem R$ 2,55 bilhões na economia da cidade, um aumento de cerca de 0,9% em comparação com o ano passado.
A pesquisa da CDL/BH aponta ainda que cerca da metade dos consumidores que pretendem presentear nesta data prefere ir às ruas para escolher pessoalmente os produtos. Desse total, 82,6% devem comprar em lojas físicas. Os shoppings lideram a preferência, com 34,7%, seguidos pelas lojas de rua (32,6%) e pelo e-commerce (19,4%).

A bancária aposentada Margarida, de 76 anos, é uma das consumidoras que prefere as lojas de rua. Fazendo compras ao lado da filha, Paula Almas, na região da Savassi, ela conta que até tentou aderir ao modelo de compras online, mas não se adaptou. “Eu até tentei, mas desisti. Gosto de ir às feirinhas, de aproveitar as compras e, quem sabe, parar e até tomar um cafezinho”, conta.
Segundo Margarida, tem valido a pena comprar em lojas físicas, já que os preços, se comparados a outras épocas do ano, não variaram muito. “Está razoável”, avalia a aposentada, que pretende gastar até R$ 3 mil em presentes.
A filha de Margarida, Paula, que mora atualmente em Cuiabá (MT), veio a Belo Horizonte para passar o Natal com a família. Com sacolas nas mãos, Paula, que é procuradora do Estado, afirma que comprar na capital mineira está mais em conta do que na cidade onde vive. Por isso, decidiu aproveitar para comprar os presentes por aqui, especialmente no comércio de rua. “Eu morro de saudade de ter lojas assim na rua. Lá é muito quente e não tem isso, é tudo shopping”, brinca. Ela afirma que não pretende gastar mais de R$ 300.
Já os consumidores mais organizados saem de casa com o roteiro definido e um limite de gastos em mente. Foi o caso da publicitária Vanessa Rocha, que foi à Savassi sabendo exatamente quais lojas pretendia visitar. “Este ano eu vim comprar de forma bem específica, já sabia onde queria ir. Fui a uma loja de pequenos produtores, que reúne várias marcas em um lugar só, e eu gosto muito”, conta.

Mesmo focada, Vanessa acabou se rendendo a uma parada extra. Ao passar pela Feira da Savassi, na Praça Diogo de Vasconcelos, não resistiu e acabou se presenteando. “Eu passei perto de plantas e não posso ver planta. Então, me dei plantas de Natal”, brinca. A publicitaria acredita que, até o final das compras, terá gasto, em média, R$ 800 reais.
Lojistas apostam em estratégias para chamar a atenção dos clientes
Com tantas opções de lojas nas ruas, a estratégia tem sido captar a atenção dos consumidores para alcançar as vendas esperadas neste Natal. Na loja de vestidos Cecília, localizada na Savassi, a aposta foi em uma vitrine temática, com peças nas cores verde e vermelho. A estratégia tem funcionado. “O que a gente fez foi colocar diferentes modelos de vestidos, para todos os gostos, mas nas cores verde e vermelho. Isso ajudou a chamar a atenção dos clientes. Alguns entram na loja já procurando as roupas que viram na vitrine”, conta Maria Tereza, vendedora do estabelecimento.
Na avaliação dela, o fluxo de clientes já aumentou nos últimos dias, mas a expectativa é de que o movimento seja ainda maior até a véspera do Natal. “Estamos animadas e achamos que pode ser melhor do que no ano passado”, afirma.
Quando não há vitrine, a saída é chamar a atenção pelas embalagens. Vendendo plantas e cactos há anos na feira que acontece na Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi, um dos comerciantes apostou em pequenas suculentas com embalagens natalinas. A ideia é oferecer opções de lembrancinhas para famílias distribuírem após a ceia. “O Natal é muito bom para as vendas. Ontem eu vendi cerca de R$ 1,5 mil e, com as vendas de hoje, acho que chega perto de R$ 3 mil”, conta, esperançoso. Além das feiras, ele também comercializa as plantas pelo Instagram, no perfil @bh_cactus_e_suculentas_.


