BRASÍLIA – O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de chantagem após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precificar a pré-candidatura à Presidência da República em 2026. O senador admitiu a hipótese de abandoná-la neste domingo (7/12), após ir a um culto na Igreja Comunidade das Nações, em Brasília (DF).
Para Lindbergh, o método de Flávio seria o mesmo já empregado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em autoexílio nos Estados Unidos. “O irmão Eduardo já chantageou o país inteiro com ameaças de sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e tarifas contra o Brasil. (…) Agora, tenta negociar anistia com o centrão como condição para retirar a candidatura”, apontou.
Eduardo é réu por coação à Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF) após articular represálias do governo Donald Trump a ministros em razão do julgamento de Bolsonaro por golpe de Estado. Responsável por defendê-lo, a Defensoria Pública da União alega que o deputado federal não teria poder para ser responsabilizado pelas retaliações.
Flávio desconversou quando questionado se a anistia para o pai, condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, seria o preço para retirar a pré-candidatura à Presidência da República. “Está quente, está quente. Está começando a ficar quente”, respondeu ele, acrescentando que revelaria apenas nesta segunda (8/12).
Embora tenha sido evasivo, o senador voltou a cobrar que a anistia seja pautada pelo Congresso Nacional na próxima semana. “Espero que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado cumpram o que prometeram para nós quando eram candidatos ainda e deixem o pau cantar no voto dentro do plenário, que é o que a gente sempre quis”, pontuou.
Lindbergh apontou que seria uma “vergonha gigantesca” caso o Congresso Nacional vote a anistia para atender a Flávio. “Além disso, a anistia é inconstitucional, viola cláusulas pétreas, dentre elas, o próprio Estado democrático de direito. Enfim, é um vexame, mais um capítulo da desmoralização permanente da família Bolsonaro”, disse, no X.


