Maria Fernanda Cândido está feliz com a bem-sucedida trajetória internacional de “O Agente Secreto”, novo filme de Kleber Mendonça Filho, que vem acumulando prêmios em festivais de cinema. “É muito emocionante ver o filme sendo reconhecido lá fora. Ele tem sido recebido com muito carinho, ganhou prêmios importantes e isso nos deixa muito felizes”, comenta a atriz, que vislumbra a possibilidade de o longa chegar ao Oscar.
“Quem sabe a gente vai ter essa alegria de novo no Oscar… O filme merece, Kleber merece, Wagner Moura merece. Mas, independente das premiações internacionais, para mim o maior prêmio é quando vejo o povo brasileiro amando seu cinema”, garante. “O que me deixa realmente contente é ver as salas cheias no Brasil. O público indo ao cinema, comentando o filme, levando amigos. Isso para mim tem um valor enorme”, completa a atriz, que está em Belo Horizonte para a apresentação do solo “Balada Acima do Abismo”, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, em sessão única neste sábado (22/11).
Na montagem, que nasceu na França e ganhou versão brasileira neste ano, ao lado da pianista Sonia Rubinsky, Maria Fernanda retorna ao universo de Clarice Lispector a partir dos contos “As Águas do Mundo”, “Restos de Carnaval”, “É Para Lá Que Eu Vou” e “A Repartição dos Pães”. “Clarice sempre volta para mim de maneiras diferentes. Cada texto abre um espaço novo. É uma autora que atravessa a minha vida”, menciona ela, que no cinema já havia se aproximado do universo clariceano em “A Paixão Segundo G.H.”, lançado em 2023.
Personagem foi criada para ser vivida pela atriz
Atualmente morando em Paris, Maria Fernanda Cândido explica que conheceu Kleber Mendonça Filho no Festival de Cannes. Foi ali que o diálogo entre os dois começou. “O Kleber me disse que escreveu a Elza pensando em mim. É muito raro um diretor imaginar uma personagem com um intérprete específico desde o início”, conta. Essa confiança, diz, influenciou sua construção da personagem. “A Elza tem muita coisa que não se diz, que fica ali dentro. O Kleber trabalha muito esse silêncio. Ele vê potência no que está por baixo”, completa.
A atriz reforça que a parceria com o diretor surgiu de afinidades pessoais e artísticas. “Nós conversamos muito em Cannes, sobre cinema, sobre o Brasil. Foi um encontro muito bonito”, lembra.
Entre o reconhecimento internacional, as salas brasileiras lotadas e o retorno ao teatro, com sessões esgotadas por onde passa, Maria Fernanda vê na atual fase um sinal de vitalidade cultural. “A cultura brasileira passou por tempos difíceis, mas é muito forte. Ver o público voltando, ocupando as salas, isso é uma alegria imensa”, finaliza.


