BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adiou o anúncio do sucessor de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) após uma reunião fora da agenda com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada.
Durante o encontro na noite de segunda-feira (20/10), Alcolumbre reforçou com Lula a articulação em torno do nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga aberta na Suprema Corte.
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou, no entanto, que Lula está “com a convicção firmada” em favor do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias. O petista, porém, optou por adiar a indicação até o retorno de sua viagem à Ásia.
O presidente embarcou nesta manhã para uma viagem de quatro dias ao Sudeste Asiático. No roteiro, estão previstas participações na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e reuniões bilaterais com autoridades e empresários. Há expectativa de um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a agenda.
Lula tem mantido uma série de reuniões com políticos e ministros do STF antes de definir o novo integrante da Corte. O favorito é Jorge Messias, aliado próximo e figura de confiança do presidente. Evangélico, ele é visto no governo como um possível interlocutor com o eleitorado religioso.
Além disso, Lula resiste ao nome de Pacheco para o Supremo por considerar o mineiro “o melhor nome” do campo progressista para disputar o governo de Minas Gerais nas próximas eleições. O presidente já chegou a chamá-lo de “futuro governador” durante um evento em Mariana.
A indicação do nome que sucederá Barroso ainda precisa ser aprovada pelo Senado, etapa que envolve sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação em plenário. Por isso, o Planalto acompanha com cautela a posição de Alcolumbre, cuja influência pode pesar no andamento.
Com a nova vaga, Lula terá a oportunidade de fazer sua terceira indicação ao STF neste mandato atual. No total, o presidente será responsável por cinco das 11 nomeações da Corte, já que Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino também foram nomeados por ele.


