NacionalEnemEnem e família: o papel dos pais na preparação emocional dos estudantes

Enem e família: o papel dos pais na preparação emocional dos estudantes

Especialistas afirmam que apoio, confiança e presença dos pais ajudam a reduzir a ansiedade e aumentar a segurança dos estudantes na reta final de preparação

À medida que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproxima, o nervosismo aumenta entre os estudantes. A segunda etapa será neste domingo (16/11), às 13h30, e especialistas alertam que o desempenho não depende apenas do conteúdo estudado: o apoio e o comportamento dos pais podem ser decisivos para o equilíbrio emocional e a confiança do aluno. Segundo a psicóloga clínica Alessia Leone, os pais funcionam como um porto seguro para os filhos. “O comportamento dos pais tem grande influência, porque eles são o porto seguro dos filhos, aqueles a quem se inspiram. O clima emocional da casa, dos pais, faz toda a diferença em como os estudantes irão se comportar durante a preparação”, afirmou.

Para a psicóloga, a pressão excessiva pode ser prejudicial ao candidato. “Pais que cobram demais, que estão ansiosos ou transferem pressão, acabam passando insegurança para os filhos. É muito diferente de quando dizem: “Estamos com você, acreditamos em você, confiamos no seu processo”. Essa presença e confiança valem muito mais do que uma semana inteira de revisão”, explica.

Alessia reforça que a proximidade dos pais ajuda a reduzir o medo e aumenta o foco na prova. “Quanto mais os pais estiverem próximos, mais eles tiram o foco do medo e da pressão, direcionando a atenção para o esforço do processo. Os alunos já se preparam há um bom tempo, e o que eles precisam agora é apoio e segurança”, disse. Ela orienta que, na reta final, os pais devem oferecer apoio emocional sem aumentar a ansiedade. “É importante evitar comparações com outros colegas, oferecer momentos de escuta e acolhimento, e focar nos sentimentos vivenciados pelo aluno — geralmente medo e ansiedade”, afirma.

Para a professora de matemática da Rede Chromos de Ensino, Júlia Aline, o apoio dos pais também influencia diretamente no desempenho e na motivação. “O ponto mais importante que os pais podem oferecer é o apoio — incentivo e confiança. Esse apoio, nesse momento de ansiedade e medo de falhar, ajuda muito na construção da segurança do aluno. Se o pai transmite segurança, o estudante acaba acreditando que é capaz, o que abre a mente para o próprio processo de aprendizagem”, afirma.

Júlia observa diferenças claras entre estudantes que recebem acompanhamento familiar e aqueles com pouca presença dos pais. “Mesmo que o aluno seja o próprio incentivador, o acompanhamento e a confiança dos pais influenciam no rendimento e na motivação. Quando os pais permitem que o filho tenha tempo adequado para estudar em casa, isso auxilia muito. Alguns alunos preferem passar o dia no colégio porque, em casa, não conseguem se concentrar devido à interferência dos pais”, disse.

Na reta final, a professora destaca a importância do equilíbrio entre confiança e cobrança. “Os pais devem dosar: conversar com o filho, passar confiança e mostrar que ele é capaz, mas sem excesso de cobrança. O excesso de pressão pode aumentar o estresse e a ansiedade, gerando medo de decepcionar os próprios pais. É essencial equilibrar confiança e cobrança”, explicou.

Diálogo e ambiente familiar

O ambiente familiar e o diálogo também são fundamentais, segundo a psicóloga. “O ambiente familiar deve ser de presença e disponibilidade para as necessidades emocionais do estudante. Os pais podem perguntar: “Como você está? Do que precisa de mim?”. Esse apoio direto é essencial”, explica.

“Um abraço, uma palavra de incentivo, um colo, isso acalma e fortalece. O Enem é apenas uma etapa, não define o aluno. O mais importante é que ele se sinta seguro com os pais, porque essa base de segurança impacta não só no resultado da prova, mas na vida”, afirma Alessia.

Os sinais de que a pressão familiar está passando do ponto, segundo a psicóloga, incluem insegurança, choro e dúvidas sobre a própria capacidade. “Os sinais de que a pressão está passando do ponto aparecem quando os jovens ficam mais chorosos, nervosos, inseguros e começam a duvidar da própria capacidade e do esforço que fizeram até aqui”, alerta.

A professora Júlia Aline também defende que é fundamental que os pais criem um ambiente emocional e físico propício para o estudante se sair bem não só no Enem, mas na vida. “Além do emocional, o espaço físico para estudar em casa faz muita diferença. Ter um local adequado e tranquilo contribui diretamente para o rendimento do aluno”, afirma.

Ela acrescenta sobre a importância de o aluno compreender seu próprio processo. “É preciso confiar no próprio processo. A cobrança existirá, tanto dos pais quanto dele, mas é preciso tornar o caminho mais leve”, conclui.

“Eu tenho sorte”, diz aluno sobre a relação com os pais

O estudante da Rede Chromos de Ensino, Arthur Oliveira, de 18 anos, está na reta final de preparação para o Enem. O jovem, que pretende cursar medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conta com o apoio dos pais nesta preparação. “Acho que a postura dos meus pais tem sido bastante positiva. Eles me apoiam muito, e creio que grande parte dos meus resultados hoje se deve a esse apoio. Ele se expressa em vários aspectos: respeitam meu tempo de estudo, meu cansaço depois de um dia intenso e, principalmente, não colocam sobre mim uma grande responsabilidade nesse ano de apreensão”, afirma.

“Tenho sorte por contar com eles não só financeiramente, mas também emocionalmente. Sempre que quero fazer um curso extra ou preciso de um momento de lazer, eles me ajudam e entendem a importância disso para minha recuperação”, disse Arthur.

Para o estudante, é normal que os candidatos se sintam inseguros quanto às expectativas dos pais, mas que é necessária a compreensão nesses casos. “É inegável que, em alguns momentos, a cobrança e as expectativas geram insegurança. A gente sente a pressão de corresponder ao investimento e às expectativas deles, de alcançar resultados. Mas entendo que isso faz parte do processo. É preciso aprender a lidar com fatores externos, entender o próprio tempo e aceitar que nem sempre vamos atender às expectativas das pessoas da melhor forma”, explica.

O comerciante Álvaro Daniel Silveira, de 50 anos, pai de Arthur, mantém um diálogo constante com o filho sobre como se preparar e lidar com a ansiedade antes do Enem. “Conversamos e escutamos um bom rock para aliviar a pressão. Digo que o importante é fazer o melhor e esperar, para não sofrer antes da hora”, conta.

Para ele, a forma como os pais se comportam nesse período influencia diretamente o desempenho dos filhos. “Quando os pais ficam tranquilos e passam confiança, o filho sente isso e fica mais seguro para a prova”, afirma. Além disso, Álvaro procura oferecer um ambiente acolhedor em casa, especialmente nos dias que antecedem o exame. “Cuido para que ele se alimente bem e descanse. Demonstro que estou sempre pronto para ajudá-lo e mostro o quanto estou orgulhoso do esforço dele”, acrescenta.

Mais do que cobrar resultados, o comerciante valoriza o processo de preparação e a dedicação do filho. “O resultado é consequência. O que realmente conta é vê-lo se dedicando e acreditando em si mesmo”, conclui.

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