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Álvaro Damião enfrenta ruídos com parte da base aliada na Câmara de BH

Nos bastidores, há quem veja o suposto mal-estar como um prenúncio de disputas por espaço político às vésperas das eleições de 2026

O clima de harmonia no início da gestão do prefeito Álvaro Damião (União) com vereadores na Câmara Municipal de Belo Horizonte parece estar esfriando. Parlamentares da base estão demonstrando insatisfação em relação ao tratamento recebido do Executivo, com queixas que vão desde demoras em retornos da Secretaria de Governo até visitas do prefeito a bairros da cidade sem convite aos representantes locais. O resultado, segundo interlocutores, é uma base aliada que se sente ignorada e um Executivo se isolando. Nos bastidores, há quem veja o suposto mal-estar como um prenúncio de disputas por espaço político às vésperas das eleições de 2026.

Um vereador, que preferiu ter a identidade preservada, acredita que o próximo pleito já esteja influenciando as relações entre Damião e os parlamentares de Belo Horizonte. No caso, os atendimentos estariam sendo medidos com base nos benefícios que podem ser entregues a partir do ano que vem. Enquanto o prefeito convida alguns vereadores para agendas nas bases, outros estariam sendo deixados de lado.

Além disso, o parlamentar relata demora no retorno de demandas apresentadas à Secretaria de Governo. A pasta, hoje liderada por Guilherme Daltro, já foi ágil nas respostas e aberta ao diálogo. Entretanto, na avaliação do vereador, estaria falhando no atendimento agora. Para ele, a relação próxima entre Damião e o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), estaria impedindo que essas questões sejam solucionadas, por não haver uma “oposição” ao prefeito na Casa. “Infelizmente, isso só prejudica a cidade”, disse.

Outro vereador ouvido pelo Aparte não vê um movimento de distinção de quem será candidato em 2026, mas concorda que há certa insatisfação em meio à base do prefeito. Ele reforça a falta de retornos em “questões pequenas” e acredita que o resultado disso será um enfraquecimento do prefeito por desgastes seguidos. “A impressão que temos é que eles estão vislumbrados ainda com a PBH e (têm) pouca efetividade em realizar algo. Hoje, não teria votos para aprovar projetos que necessitam de 28 votos”, avalia.

O parlamentar cita também as visitas de Damião às bases sem comunicar os vereadores. “Isso também tem incomodado muito. Não avisam. Bastava ter uma lista por e-mail e enviar, coisa simples”.

Um interlocutor da Câmara Municipal corroborou as reclamações. Ele avalia que o prefeito estaria dando maior atenção a alguns vereadores em detrimento de outros. “As pessoas que são da base, mas não são tão relevantes aos olhos dele, são tratadas com indiferença, como se fossem ‘só mais um’. Eles não estão minando a gente, não estão prejudicando, mas, ao mesmo tempo, não facilitam nossa vida em nada”, afirma. “Acho que, para a pessoa ser base, tem que ter privilégios, mas alguns vereadores não têm”, observa.

Álvaro Damião e o líder do governo na Câmara, vereador Bruno Miranda (PDT), foram procurados para comentar as queixas, mas não haviam se manifestado até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto.

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