Acusado pela oposição de pressionar deputados estaduais para privatizar a Copasa com objetivo de favorecer o mercado financeiro, o governador Romeu Zema (Novo) resolveu comentar o assunto. Segundo ele, nada no processo de venda da empresa tem sido feito de forma escondida. De acordo com o chefe do Executivo, a ordem é que, quando iniciar o processo de venda da estatal, tudo seja guiado pela transparência.
“É um processo totalmente transparente. A empresa vai ser colocada em leilão na B3 e aquele que oferecer o maior lance é que vai levar; um processo totalmente aberto. Outros estados já passaram por isso. Minas está sendo um dos últimos estados a passar por esse processo”, disse após evento, nesta segunda-feira (6/10), para divulgar ações previstas para o período chuvoso.
Mais cedo, durante reunião da Comissão Especial na Assembleia Legislativa que avalia a retirada da exigência de um referendo popular para privatizar a empresa, a deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) chegou a afirmar que aposta em uma redução brusca do preço de venda da empresa.
“Eles dizem que podem vender por R$ 3 bilhões ou R$ 4 bilhões. Mas eu aposto que lá na frente será R$ 2,5 bilhões. Acho bom deixar isso registrado para depois lembrar”, disse. “O que eles querem é vender a empresa a preço de banana para que, depois, ela seja valorizada”, concluiu a parlamentar.
Em agosto (14/8), o governador Romeu Zema participou de um evento promovido pelo banco BTG Pactual e teve um encontro reservado com o dono da instituição, o banqueiro André Esteves, que tem participações em fundos de investimento de infraestrutura que atuaram na compra de ações da Copasa. Os acontecimentos dispararam alertas na oposição ao governo que acusou a administração estadual de conluio para dirigir o processo de privatização da empresa.
Universalização
Independente das críticas, o governador defendeu o processo de venda. Segundo ele, a venda da estatal é necessária para obter os recursos necessários para o pagamento de dívidas do estado com a União e ainda um caminho para acelerar a “universalização” do tratamento de água e esgoto em Minas Gerais. “Os mineiros ganharão duas vezes: vão ter uma empresa mais ágil, que vai avançar mais rapidamente no saneamento e também vão ter um abatimento na dívida”, afirmou Zema.
“A empresa que vier a adquirir ou a ter a concessão do saneamento em Minas terá de universalizar o fornecimento de água e o tratamento de esgoto e vai fazer isso muito mais rápido do que a Copasa. Porque a Copasa, como uma empresa estatal, precisa de toda aquela burocracia de licitação, contrata uma construtora que muitas vezes para a obra, exigindo reequilíbrio financeiro. Quando isso estiver na mão de uma empresa privada, não vai acontecer”, concluiu o governador.


