BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (27/10), em entrevista coletiva em Kuala Lumpur (Malásia), o acordo comercial com os Estados Unidos, que pode pôr fim ao tarifaço a produtos brasileiros, não interfere na relação do Brasil com a China.
“Isso não tem nenhuma implicação na relação do Brasil com a China. São coisas totalmente distintas”, disse Lula, ao ser questionado por jornalistas. Ele afirmou que o Brasil continuará mantendo relações autônomas e equilibradas com todos os parceiros, incluindo a União Europeia.
“Não há condicionalidade para que a gente possa fazer um acordo, e nem eu aceitaria condicionalidade. Os Estados Unidos estão de acordo com quem quiser, e eu faço acordo com quem quiser”, garantiu Lula, defendendo o pragmatismo e a soberania.
O petista disse acreditar que Brasil e EUA fecharão um acordo comercial em breve. “Se depender do Trump e de mim, haverá acordo”, ressaltou Lula, destacando que a conversa foi “surpreendentemente boa”, com respeito mútuo, apesar das diferenças ideológicas.
“O fato de termos posições políticas diferentes não impede que dois chefes de Estado tratem a relação entre seus países com respeito. Ele me respeita porque fui eleito pelo voto democrático do povo brasileiro, e eu o respeito porque foi eleito pelo povo americano”, ressaltou Lula.
Trump e Bolsonaro se reuniram no domingo (26/10). Primeiro, ao lado de ministros, falaram a jornalistas. Depois, tiveram uma conversa à porta fechada. Ao fim, divulgaram notas oficiais dizendo que ela foi positiva e que um acordo comercial estava encaminhado.
O petista contou que entregou por escrito as demandas do governo brasileiro e reforçou o pedido de suspensão das tarifas a produtos nacionais.
“Quem imaginava que eu não teria relação com os Estados Unidos perdeu. Vai ter, e vai ser uma relação produtiva entre dois países democráticos”, ressaltou o presidente brasileiro. Ainda segundo Lula, Trump demonstrou disposição para resolver o impasse rapidamente e orientou sua equipe a buscar uma solução em poucas semanas.
Trump tem encontro com Xi Jinping
A questão comercial está no centro da viagem de Trump pela Ásia, em particular por seu encontro com Xi Jinping, com quem espera discutir as tarifas impostas à China.
Negociadores comerciais dos Estados Unidos e da China concluíram no domingo em Kuala Lumpur dois dias de reuniões com um comunicado encorajador sobre a possibilidade de evitar uma guerra comercial.
“Acredito que vamos chegar a um bom acordo com a China”, declarou Trump, que no início do mês ameaçou impor tarifas adicionais de 100% aos produtos chineses a partir de 1º de novembro.
O negociador comercial internacional e vice-ministro do Comércio chinês, Li Chenggang, afirmou que Pequim e Washington alcançaram um “consenso preliminar” para solucionar as divergências comerciais.
O governo dos Estados Unidos deseja que a China retire as restrições à exportação de terras raras, minerais cruciais para diversos setores, da indústria digital até a defesa.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sugeriu um possível acordo para que a China adie as restrições de exportação de terras raras e retome a compra de soja americana.


