BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter se colocado à disposição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ser um mediador da crise entre o governo americano e a Venezuela, durante a reunião que tiveram no último domingo (26/10), em Kuala Lampur, na Malásia.
Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (27/10), Lula relata ter dito a Trump que vê a situação “se agravando” e não dá para “achar que tudo será resolvido na bala”.
“Acho possível encontrar uma solução se houver disposição de negociação e o Brasil tem interesse que não haja guerra na América do Sul. Conheço a situação da Venezuela, sei o que está acontecendo e acho importante ser resolvido numa mesa de negociação. O Brasil tem expertise”, disse.
Lula tem sido um crítico da ofensiva militar dos EUA sobre embarcações no litoral venezuelano, feita sob a justificativa de combater um cartel de drogas. Nos últimos dias, o governo americano chegou a enviar ao Mar do Caribe o maior navio de guerra do mundo.
A posição oficial do governo dos Estados Unidos é de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lidera o Cartel de los Soles. Por isso, foi anunciada uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 272 milhões) por informações que levem à sua captura.
A Venezuela atribui as acusações de Trump contra Maduro a um plano para buscar uma “mudança de regime” e assumir o controle das reservas de petróleo do país.
Guerra na Ucrânia
Lula também afirma que pretende abordar com Trump a guerra na Ucrânia, que já dura mais de três anos e meio. Na reunião de domingo, eles não trataram do tema, mas o presidente brasileiro também se dispõe a ajudar na mediação do conflito.
“Eu ainda não falei para ele, mas qualquer dia eu vou dizer para ele que a gente pode resolver essa guerra da Ucrânia. Porque eu acho que a guerra está no seu ponto de maturidade”, comentou.
“Já estamos há três anos de guerra. O Putin já sabe o que quer, o Zelensky já sabe o que quer, cada um já sabe o que vai conseguir. O que está faltando é colocar isso na mesa de negociação. E eu acho que estamos chegando no ponto de acabar com essa guerra no mundo. E não precisa ter mais guerra”, concluiu.


