BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desconversou sobre a possibilidade de indicar o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias. A nomeação é dada como certa por alguns de seus aliados, inclusive no Congresso Nacional.
“Deixa eu chegar ao Brasil primeiro, deixa eu chegar”, disse o petista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, antes de embarcar de volta da Malásia para o Brasil, na noite desta segunda-feira (27/10). A chegada de Lula e sua comitiva ao Brasil está prevista para a noite desta terça-feira (28/10).
Em seu retorno ao país, o presidente terá como prioridade a definição sobre o substituto do ex-ministro Luís Roberto Barroso. A expectativa inicial era de que a decisão fosse tomada no início da semana passada, antes de viajar à Ásia. Mas segundo aliados, ele adiou para ouvir outros interlocutores.
O motivo da cautela é o fato de que Messias não é o nome preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de outras lideranças do Senado e nem mesmo de parte dos ministros do STF. Lula tenta resistir a uma campanha desses grupos pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tido como mais moderado, experiente e bem relacionado com o meio político.
Ainda nesta semana, o presidente deve ter uma reunião com Pacheco antes de enviar a indicação, mesmo que seja de Messias. O petista defende que o parlamentar seja o seu candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, o que dificulta uma eventual nomeação do senador para o STF. Além disso, o ministro da AGU é mais próximo do petista e conta com o apoio da ala majoritária do PT.
A indicação do nome que sucederá Barroso precisa ser aprovada pela Casa, etapa que envolve sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação em plenário. Será necessário o voto de pelo menos 41 dos 81 senadores. Por isso, o Planalto acompanha com cautela a posição de Alcolumbre, cuja influência pode pesar no andamento da escolha.
Esta será a terceira nomeação de Lula ao Supremo neste mandato. Em 2023, ele indicou o ministro Cristiano Zanin para o lugar de Ricardo Lewandowski, enquanto no ano seguinte, enviou Flávio Dino para a vaga deixada por Rosa Weber.


