A construção civil brasileira recuou, em 1%, as projeções de crescimento do setor em 2025. A alteração se deu já levando em consideração os efeitos do ciclo prolongado da alta da Selic, a taxa básica de juros da economia nacional. Atualmente, o indicador está em 15%, o maior patamar desde junho de 2006. A retificação foi anunciada nesta segunda-feira (27/10) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
De acordo com a entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor recuou 0,6% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os períodos imediatamente anteriores. A CBIC destacou, ainda, que a produção de insumos típicos da construção ficou praticamente estável entre janeiro e agosto, enquanto o varejo de materiais registrou leve alta de 0,7%.
Na avaliação semestral, o PIB da construção cresceu 1,8% nos primeiros seis meses deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A Câmara calcula que o setor opera 23% acima do nível registrado antes da pandemia, no final de 2019. “A construção continua aquecida, mas o custo do crédito tem pesado cada vez mais sobre os investimentos”, afirma o presidente da CBIC, Renato Correia.
A retificação nas projeções ocorre mesmo em um momento de boas expectativas para o setor com a mudança nas regras do crédito imobiliário, anunciadas pelo governo federal nas últimas semanas, para fomentar o financiamento de imóveis pela classe média. Dentre as mudanças, estão novas regras para uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), aumento do valor financiável e maior flexibilidade para uso dos recursos Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
“O que foi feito com o FGTS, junto com o novo crédito imobiliário, vai garantir acesso à moradia digna e de qualidade aos estratos mais carentes da população. Essas mudanças se concentram na classe média, que estava carente de fontes seguras de financiamento”, disse o presidente da CBIC, no dia 10 de outubro, após o anúncio das medidas.
Empregos em queda
De janeiro a agosto, a construção civil nacional gerou 194,5 mil novos empregos formais, uma queda de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024. A construção de edifícios liderou as contratações (74,9 mil novas vagas). Os dados, divulgados pela CBIC, são do Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho.
Segundo a CBIC, o número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 3,05 milhões em agosto no setor, próximo ao recorde histórico verificado em outubro de 2013. Jovens de 18 a 29 anos representam metade das novas contratações. O salário médio de admissão da construção é R$ 2.462,70, valor 7,3% superior à média nacional.
“A conjuntura é desafiadora, mas o setor vai crescer pelo terceiro ano consecutivo, gerando empregos formais em todas as regiões do país. A construção tem mostrado resiliência e capacidade de adaptação”, pondera Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a CBIC projeta continuidade de crescimento. Segundo a entidade, as mudanças nas regras do financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) podem ajudar a incrementar a atividade. A expectativa é que R$ 37 bilhões sejam injetados no crédito habitacional já no próximo ano.
Entre janeiro e agosto, o SBPE financiou R$ 97,1 bilhões em crédito imobiliário, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 118,5 bilhões). Do total, R$ 83,8 bilhões foram destinados à aquisição de imóveis, volume 7% inferior ao registrado no ano anterior (R$ 90,1 bilhões).
Já o financiamento para construção recuou 53%, passando de R$ 28,4 bilhões para R$ 13,3 bilhões no mesmo intervalo, segundo a CBIC. “A retração reflete a captação líquida negativa da poupança, principal fonte de recursos do SBPE e que há cinco anos consecutivos vem perdendo recursos”, complementa a economista-chefe da CBIC.
Outra expectativa positiva está atrelada ao programa ‘Reforma Casa Brasil’ – também lançado em outubro pela União. A CBIC acredita que a medida vai contribuir para a retomada do comércio de materiais de construção, com R$ 40 bilhões previstos para crédito em reformas e ampliações residenciais.


