BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reiterou ontem críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e afirmou que pedirá, junto com outros parlamentares da oposição, a anulação do julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pela suposta trama de golpe de estado.
Segundo o parlamentar, o pedido será feito com base em acusações feitas por Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes. Para isso, ele quer usar um precedente da Operação Lava Jato que foi utilizado para anular os processos que condenaram o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ontem, Moraes votou pela condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete réus na ação penal por suposta tentativa de golpe de estado, durante julgamento na Primeira Turma do STF. Para o filho do ex-presidente, o magistrado proferiu um “voto político”, sem embasamento jurídico. Ele afirmou que o ministro votou com “raiva e ódio” e agiu como um “líder do PT” na Suprema Corte.
“É uma tristeza no coração ver como uma pessoa pronuncia um voto político, com tanta raiva, fala com tanto ódio. Parecia o líder do governo do PT no Supremo, proferindo palavras sem embasamento jurídico, sem vinculação com nenhuma prova”, disse o parlamentar.
Flávio fez um pronunciamento no Senado logo após o voto de Moraes. O congressista reforçou as acusações apresentadas por Tagliaferro, que alega a existência de fraudes no gabinete do magistrado. O senador afirmou que uma perícia “comprovou” as denúncias de Tagliaferro, em especial a suposta manipulação processual por ocasião de uma busca e apreensão determinada por Alexandre de Moraes contra um grupo de empresários nas eleições de 2022.
Intercept desmonta operação Lava Jato
Flávio afirmou que oficiará todos os ministros do STF e solicitará a abertura de uma investigação, além da suspensão do julgamento do plano de golpe. A ideia é usar o mesmo procedimento utilizado por Lula, após o site Intercept revelar mensagens de WhatsApp entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, que mostravam os dois combinando ações e estratégias para investigação na operação Lava Jato.
Procurados, nem o STF, nem Moraes quiseram se manifestar. Anteriormente, o ministro já havia negado irregularidades na investigação do grupo de empresários, que supostamente discutiam apoio a um eventual golpe para manter Bolsonaro no poder. Na ocasião, Moraes declarou que “todos os procedimentos foram oficiais, regulares e documentados nos inquéritos”.


