NacionalCidadesEstado leva poços artesianos para 432 escolas mineiras

Estado leva poços artesianos para 432 escolas mineiras

Desde 2023, Gota D’Água já beneficiou 55 mil estudantes em 387 municípios de Minas

Por anos, a água coletada diretamente do Rio Pandeiros foi a principal fonte de abastecimento da Escola Estadual Antônio Fernandes Viana, localizada na comunidade quilombola de Campos, em Januária, no Norte de Minas. A caixa d’água da instituição era abastecida pela manhã, sem garantia de potabilidade e sem a certeza de que o volume disponível duraria até o final do dia. “A gente só tinha acesso à água por causa de uma ligação feita por um morador. Mas ela não era garantida; muitas vezes tivemos que buscar água com caminhão-pipa e encher tambores. Faltava água também, e chegamos a ficar semanas sem aula”, conta a diretora, Suzane Santos.

Em 2023, a escola, que atende 35 alunos do ensino fundamental, passou a ser contemplada pelo programa Gota D’Água, desenvolvido pelo governo de Minas por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEE/MG). “Eles construíram um poço artesiano, e hoje já não temos mais problemas com falta de água. Além disso, é água tratada, uma realidade muito diferente da comunidade do entorno. A gente percebe que isso fez os alunos frequentarem mais a escola, e até os moradores se fizeram mais presentes, já que eles buscam água potável. O difícil é garantir para todo mundo”, brinca a diretora.

A iniciativa do governo estadual prevê a instalação de poços artesianos e a entrega de kits de potabilização para escolas que dependem de fontes alternativas, garantindo água potável e segura. Iniciado em 2023, o Gota D’Água já beneficiou 55 mil estudantes em 432 escolas da rede, espalhadas por 387 municípios, contando com um investimento de R$ 7,6 milhões. Só no Norte de Minas, o projeto Gota D’Água já atende 136 escolas e alcança mais de 15 mil alunos.

“Nos últimos meses, temos discutido maneiras de potencializar o programa, garantindo saúde e a presença dos estudantes. Uma das ideias é transformar a escola em um ponto irradiador de água potável, já que nem todos os indivíduos têm acesso a esse recurso em suas casas. Dessa forma, a escola pode contribuir para reduzir problemas que vêm de fora, beneficiando toda a comunidade”, destaca o secretário de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares.

A seleção das escolas, de acordo com a SEE/MG, segue critérios como escassez hídrica e necessidade urgente de abastecimento. “A escola está inserida em seu ambiente e, por isso, é influenciada por diversos fatores externos. Se a cidade não conta com água potável e saneamento adequado, é muito provável que a própria escola enfrente as mesmas dificuldades. Por isso a importância de programas como esse”, completa Soares.

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.696/2023, que inclui entre as obrigações do poder público a garantia de acesso à água tratada e à água potável nas escolas públicas. Estados e municípios passariam a ser encarregados de realizar as obras de infraestrutura necessárias para adequar as redes que vão levar saneamento básico para as instituições de ensino. O projeto prevê o uso de recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola, mantido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e ainda precisa passar por apreciação do plenário do Senado.

Caminhos: Tratamento direto na fonte é alternativa

Para além do programa Gota D’Água e do Encontro das Águas, o governo de Minas tem outra ação que busca levar água potável para moradores das regiões mais áridas de Minas. O Programa Água Doce busca levar sistemas de dessalinização para comunidades que consomem água salobra (com grau de salinidade). A iniciativa é colocada em prática em parceria com o governo federal e já beneficiou mais de 7.000 pessoas em 26 municípios, prevendo a instalação de 33 sistemas até 2026.

Outra solução bastante utilizada em áreas remotas, segundo a Copasa, é o tratamento direto de poços artesianos. Na comunidade de Riacho da Cruz, a pouco mais de 20 km do centro urbano de Januária, no Norte de Minas, a alternativa encontrada para garantir água potável na Escola Estadual Lindolfo Carlos Ferreira foi essa.

Segundo o diretor de Operações da Copasa, Guilherme Frasson, esse tipo de solução é escolhido diante da dificuldade de implantação de uma rede canalizada proveniente de rios e mananciais. “É um sistema mais simplificado de tratar. Tem melhor custo-benefício”, afirma. O processo consiste na aplicação de produtos à base de cloro, conforme os padrões de potabilidade da Portaria 888/2021, do Ministério da Saúde. O produto é utilizado para eliminar microrganismos que podem causar doenças.

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