EconomiaAmcham BrasilAmcham defende Brasil em documento enviado à investigação dos EUA sobre Pix...

Amcham defende Brasil em documento enviado à investigação dos EUA sobre Pix e etanol

Câmara de Comércio apresentou dados que comprovam a importância da cooperação bilateral

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu investigação contra o Brasil em seis frentes: acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal, falhas na aplicação de medidas anticorrupção, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual e políticas ligadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico — incluindo o Pix.

Em resposta, a Amcham Brasil enviou documento ao órgão norte-americano defendendo cooperação bilateral e diálogo construtivo como alternativas mais eficazes para solucionar os pontos de atrito. Segundo a entidade, medidas unilaterais podem trazer impactos negativos a empresas, cadeias produtivas e trabalhadores nos dois países.

A Câmara também fez um alerta: a aplicação de tarifas generalizadas, como a taxa de 50% recentemente imposta a parte das exportações brasileiras, tende a gerar efeitos adversos mútuos e abrir espaço para contramedidas do Brasil.

Pontos destacados pela Amcham

1. Comércio e investimentos bilaterais

  • Os EUA registraram superávit de US$ 6,8 bilhões em bens e US$ 23,1 bilhões em serviços no comércio com o Brasil em 2024.

  • Mais de 70% das exportações americanas entram no Brasil sem tarifa.

  • Um terço das trocas bilaterais envolve subsidiárias de multinacionais dos dois países, reduzindo custos e fortalecendo cadeias de suprimento.

  • O Brasil também é investidor relevante nos EUA, sustentando mais de 110 mil empregos. Já os americanos lideram investimentos no Brasil, com mais de 3.900 empresas instaladas.

2. Comércio digital e serviços financeiros

  • A regulação da responsabilidade das plataformas digitais segue em debate no Congresso e no Executivo.

  • O Brasil permite múltiplos mecanismos de transferência internacional de dados, o que abre espaço para ampliar negócios e harmonizar padrões regulatórios.

3. Tarifas preferenciais

  • Acordos do Brasil com Índia e México têm impacto limitado sobre o comércio.

  • Os EUA já possuem acesso privilegiado ao mercado brasileiro, com tarifa média efetiva de 2,7%, abaixo da aplicada a outros países (5,2%).

  • Setores privados defendem novos acordos bilaterais para ampliar investimentos, seguindo o Protocolo ATEC de 2020.

4. Propriedade intelectual

  • O Brasil tem avançado com a Estratégia Nacional de PI e foi reconhecido pelo relatório Special 301 de 2025.

  • O tempo médio para concessão de patentes caiu para 2,9 anos, mas ainda é considerado um desafio, especialmente em saúde e biotecnologia.

  • A entidade reforça que tarifas não resolvem problemas de pirataria e podem comprometer avanços já alcançados.

5. Biocombustíveis

  • Brasil e EUA, líderes globais no setor, têm oportunidade de ampliar o acesso recíproco a seus mercados e fortalecer a cooperação em biocombustíveis sustentáveis, como os usados na aviação e transporte marítimo.

6. Meio ambiente e desmatamento ilegal

  • O Brasil assumiu a meta de zerar o desmatamento até 2030 e reduziu em 30% a área desmatada entre 2023 e 2024.

  • Empresas brasileiras já investem em rastreabilidade para cadeias produtivas livres de desmatamento.

  • Segundo a Amcham, apenas a cooperação internacional pode garantir resultados efetivos, enquanto barreiras comerciais não atacariam as causas do problema.

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nublado
21 ° C
21 °
21 °
88%
0m/s
100%
qui
31 °
sex
25 °
sáb
32 °
dom
24 °
seg
21 °