PolíticaBrasíliaGovernadores veem Lula ‘transferindo’ responsabilidade ao pedir redução do ICMS sobre alimentos

Governadores veem Lula ‘transferindo’ responsabilidade ao pedir redução do ICMS sobre alimentos

Parte dos chefes estaduais destaca que já se anteciparam ao pedido do governo e aplicaram as reduções sobre a cesta básica

BRASÍLIA – Ao criticarem o pedido do governo federal para que os Estados renunciem ao ICMS sobre produtos da cesta básica, governadores argumentam que a medida transfere a responsabilidade da União aos Estados e pode induzir o contribuinte ao erro, pois muitos deles já isentam o imposto.

É o caso, por exemplo, de São Paulo. No último domingo (9), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como possível adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, afirmou que o Estado já faz o “dever de casa” por zerar o ICMS para itens como arroz, feijão, ovos, farinhas, legumes e verduras.

Outros quatro Estados já isentam ou reduziram o imposto sobre itens básicos de alimentação: Amazonas, Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) anunciou a medida a partir de abril.

“A partir do mês de abril, o ICMS sobre o arroz está zero. E não é só arroz. Feijão, ovos, leite e os produtos da cesta básica em geral terão ICMS zero no Piauí a partir de abril”, disse.

A ação do governador piauiense parte de um convênio assinado pelo Conselho Fazendário Nacional (Confaz), que reúne os secretários de Fazenda de todos os Estados mais o Distrito Federal, que permite reduzir ou zerar o ICMS sobre produtos da cesta básica. Entre os entes signatários, também estão Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e Sergipe.

Além disso, alguns governadores aliados de Lula já demonstraram boa vontade com a sugestão, dada inicialmente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na última quinta-feira (6). São os casos dos petistas Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Rodrigues (Bahia).

Governo foi alvo de críticas

Governantes de partidos que fazem oposição ao presidente Lula foram a público criticar o governo pelo pedido de redução do ICMS.

“Estender isso para toda a população teria um impacto bilionário, que só seria possível com compensações da União”, disse o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). O entendimento é compartilhado pelos governos de Minas Gerais e Rio de Janeiro, três dos Estados mais endividados do país.

Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), também apontado como pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, teceu críticas à redução do imposto sobre importação de alimentos da cesta básica, anunciada pelo governo na semana passada. Para ele, a medida prejudica os produtores nacionais.

“O governo federal está promovendo concorrência desleal contra aqueles que geram riqueza e superávit no país”, afirmou.

Para o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), para uma redução do ICMS ser viável, seria necessário que o país estivesse com uma taxa básica de juros abaixo de 10% – hoje, é de 13,25%. Ele cobrou “medidas estruturais” do governo Lula para se chegar a esse patamar.

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