PolíticaAborto: STF tem 4 votos contra recurso da CNBB

Aborto: STF tem 4 votos contra recurso da CNBB

O Supremo ainda não definiu uma data para que o mérito da ação sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana volte a ser avaliado pelos ministros

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) tem quatro votos contra um recurso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que busca anular o voto da ministra aposentada Rosa Weber favorável à descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Relator do caso, o ministro Flávio Dino considerou que “amigos da Corte”, como a CNBB, não têm legitimidade para apresentar embargos de declaração em processos de controle de constitucionalidade. Ele foi seguido pelos ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia.

“Ressalto que, consoante a sólida jurisprudência deste Supremo Tribunal, o amicus curiae [amigo da Corte] não detém legitimidade recursal para opor Embargos de Declaração em processo objetivo de controle de constitucionalidade”, escreveu Dino em seu voto contra o recurso.

Até a manhã desta segunda-feira (5), nenhum ministro havia discordado de Dino. O caso é julgado no plenário virtual, formato em que o voto é inserido no sistema eletrônico do Supremo. Os ministros têm até o fim da próxima sexta-feira (9) para manifestar sua posição.

Julgamento do mérito está suspenso

O caso teve início com uma ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) aberta pelo Psol em março de 2017, cujo mérito começou a ser julgado em setembro, quando a então relatora e presidente do STF, Rosa Weber, apresentou seu voto pela descriminalização.

Ela foi a única a votar até o momento para que o aborto deixe de ser crime no Brasil se provocado até a 12ª semana de gestão. Atualmente, a legislação permite o procedimento apenas em casos de gravidez por estupro, fetos anencefálicos e se a gestação colocar em risco a vida da mãe.

O julgamento foi interrompido no mesmo dia porque o ministro Luís Roberto Barroso, que sucedeu Rosa Weber na presidência do Supremo, pediu destaque do processo. Dessa forma, o tema saiu do plenário virtual para ser analisado presencialmente pela Corte.

O STF ainda não definiu uma data para que o mérito da ação sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana volte a ser avaliado pelos ministros. Crítico aberto da criminalização do aborto como política pública, Barroso tem dito que o tema ainda não está maduro o bastante na sociedade para ser julgado.

A CNBB argumenta que o destaque de Barroso foi lançado antes do voto de Weber e, por isso, o posicionamento da ex-ministra deveria ser anulado. A entidade também sustenta que o STF não cumpriu o prazo para que ela se manifestasse como parte interessada no processo.

O voto de Rosa Weber

Em seu voto, Rosa disse entender que “a criminalização da conduta de interromper voluntariamente a gestação, sem restrição, não passa no teste da subregra da necessidade, por atingir de forma o núcleo dos direitos das mulheres à liberdade, à autodeterminação, à intimidade, à liberdade reprodutiva e à sua dignidade”, argumentou a ministra.

“Com efeito, a criminalização do ato não se mostra como política estatal adequada para dirimir os problemas que envolvem o aborto, como apontam as estatísticas e corroboraram os aportes informacionais produzidos na audiência pública”, disse ela.

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
chuva fraca
23 ° C
23 °
23 °
94%
1m/s
100%
sáb
32 °
dom
26 °
seg
31 °
ter
32 °
qua
30 °