Nomes da direita e da esquerda destacam potencial de seus “cabos eleitorais” nacionais para atrair votos.
Mas, para seus “apadrinhados”, a condenação não afeta a capacidade de Bolsonaro de atrair votos. O deputado estadual e pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte Bruno Engler (PL) é um dos que apostam na influência do ex-presidente como cabo eleitoral. O parlamentar aguarda a visita de Bolsonaro para lançar oficialmente sua pré-candidatura. Procurado para falar sobre a participação do ex-presidente em sua campanha, Engler não retornou o contato.
Do outro lado da disputa em Belo Horizonte, o deputado federal Rogério Correia (PT) conta com a bênção de Lula. Ele diz ser importante que o prefeito da capital seja alinhado ao governo federal e que o presidente terá uma influência expressiva nas eleições na cidade. “Pretendo fazer a ligação Lula-BH”, afirmou o parlamentar.
O ex-deputado federal Charlles Evangelista (PL) também aposta no ex-presidente na tentativa de se eleger prefeito de Juiz de Fora. Diferentemente de Belo Horizonte, Bolsonaro já estaria com data marcada para ir à cidade: 6 de setembro – dia em que, durante pré-campanha pela Presidência no local, em 2018, ele foi vítima de uma facada.
“Acho que não só em Juiz de Fora, mas em todas as outras grandes cidades, principalmente as administradas pelo PT, há uma tendência natural de ser polarizada (a disputa) entre PT e PL, Lula e Bolsonaro. A gente acredita que em Juiz de Fora não vai ser diferente”, analisou o ex-deputado.
Margarida, porém, mesmo reforçando a necessidade de discutir problemas locais, também pretende usar a influência do presidente da República em sua campanha. “Só se eu fosse louca de não ‘usar’ Lula”, afirmou, lembrando que o petista sempre foi o candidato à Presidência mais votado na cidade em todas as eleições que disputou.
Problemas locais devem se sobrepor à polarização nacional
Em Contagem, terceiro maior colégio eleitoral de Minas, com cerca de 450 mil eleitores, a expectativa é que os temas locais prevaleçam durante a campanha eleitoral, mas os pré-candidatos Marília Campos (PT), que tentará a reeleição, e Cabo Junio Amaral (PL) sabem do potencial de seus cabos eleitorais nacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro, respectivamente.
Sobre uma possível visita do presidente da República ao município para a campanha eleitoral, a prefeita disse ainda não saber se isso ocorrerá, mas não descarta a possibilidade. “No momento certo, vamos avaliar”, pontuou a petista.
Rival da prefeita, o deputado federal Junio Amaral afirma que sua campanha na cidade será uma mistura de temas locais com nacionais. “As pessoas querem as escolas e os postos de saúde funcionando, mas estão atentas também ao debate nacional, como, por exemplo, o que trata da ideologia de gênero”, disse o parlamentar. Conforme Amaral, o ex-presidente Jair Bolsonaro deverá participar de ato de sua pré-campanha em Contagem, na segunda quinzena de julho.
Nas eleições deste ano em Uberlândia, o segundo maior colégio eleitoral de Minas Gerais, além de refletir a polarização nacional PT/PL, tudo indica que haverá também um embate entre, de um lado, um puxador de votos local e, do outro, um expoente nacional. Dentro dos limites da cidade do Triângulo Mineiro, a liderança é o prefeito Odelmo Leão (PP), que está em segundo mandato e soma ainda outras duas vitórias em eleições anteriores.
Do outro lado poderá estar Jair Bolsonaro (PL). O gabinete do pré-candidato do PL, o deputado estadual Caporezzo, garante que o parlamentar será apoiado pelo ex-presidente no município. Por sua vez, Odelmo Leão lançou como pré-candidato o vice-prefeito Paulo Sérgio (PP).
Fato curioso é que Odelmo pediu votos para Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2022, mas afirmou que, agora, colocou seu vice na pré-campanha por fidelidade. “(Paulo Sérgio) foi um dos únicos que estiveram ao meu lado na consolidação de Uberlândia como potência do interior brasileiro, com muita seriedade e compromisso com o povo”, disse o prefeito. Procurado, Caporezzo não retornou o contato.


