Após oito meses de bombardeios intensos na Faixa de Gaza, o norte e o centro do território tiveram um momento de trégua neste domingo
Já Rafah, no extremo sul da Faixa, onde o Exército israelense iniciou uma ofensiva terrestre no início de maio, foi alvo de disparos e de um bombardeio.
“De repente, está calmo desde esta manhã, sem disparos, sem bombardeios, é estranho”, afirmou Haiti al Ghouta, 30 anos, na Cidade de Gaza, no norte, que espera que este seja o prelúdio para um cessar-fogo permanente.
A pausa diária foi anunciada um dia após a morte de 11 soldados israelenses, oito deles na explosão de uma bomba na Faixa de Gaza.
A pausa “ocorrerá das 8h às 19h (das 2h às 13h no horário de Brasília) todos os dias e até novo aviso”, na área de Kerem Shalom, passagem fronteiriça no sul de Israel, para a rodovia Salahedin, em Gaza, e em direção ao norte do território palestino, disse o Exército.
“Terríveis perdas”
A ONU anunciou que “celebra” a medida, mas pede que “leve a novas ações concretas” para facilitar a entrada de ajuda humanitária, disse Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).
A organização internacional tem alertado repetidamente que é difícil entregar a ajuda à população, que vive sem acesso a água, alimentos e medicamentos, devido aos combates e às restrições israelenses.
“A pessoa que tomou a decisão de estabelecer uma pausa enquanto nossos soldados caíam em combate é má e estúpida […]”, denunciou o ministro da Segurança Nacional israelense de extrema direita, Itamar Ben Gvir.
Poucas esperanças de trégua
A guerra entre Israel e o Hamas eclodiu em 7 de outubro, quando militantes do movimento islamista mataram 1.194 pessoas, a maioria civis, e sequestraram outras 251 no sul de Israel, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
O Exército estima que 116 estejam em cativeiro em Gaza, mas acredita que 41 delas podem estar mortas.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que deixou pelo menos 37.337 mortos em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo Hamas desde 2007.
“Perdemos muitas pessoas, há muita destruição. Estou de luto, perdi meu filho”, lamentou Um Mohammad al Katri, em um acampamento para deslocados em Jabaliya, perto de Gaza.


