No total, 58 universidades e institutos aderiram à paralisação deste ano
A Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes) assinou, nessa segunda (27), a proposta de reajuste salarial feita pelo governo Lula (PT). A assinatura, porém, foi feita sem a participação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) -outra entidade com protagonismo nas negociações–, que não aceitou os termos apresentados pelo governo. O anúncio oficial sobre o acordo deve ocorrer apenas no dia 6 de junho.
A postura da pasta de Esther Dweck causou confusão entre os sindicatos que representam a classe.
A Proifes quis aceitar as condições do governo, mas o Andes rechaçou a possibilidade e tentou deslegitimar a autoridade da Proifes para fechar um acordo. Em reunião na tarde desta segunda, em Brasília, os sindicatos trocaram xingamentos e acusações. O governo tentou apaziguar a situação com o Andes, dizendo que postergaria o encerramento das negociações. A proposta, porém, terminou assinada pelo Proifes.
O presidente do Andes, Gustavo Seferian, chamou a assinatura do acordo nesta segunda de “golpe” e “um tiro no pé” dado pela gestão petista. Já o presidente do Proifes, Wellington Duarte, disse ser “do jogo democrático” haver divergências entre sindicalistas e defendeu o trato com o Ministério da Gestão. No total, 58 universidades e institutos federais aderiram à paralisação deste ano.
Para o Andes, é hora de apresentar outras exigências, como a recomposição do orçamento das universidades federais, em queda nos últimos anos. A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por exemplo, já anunciou estar em calamidade financeira.
Em meio à crise com os sindicalistas, base histórica do PT, aliados tentam blindar Lula. Membros da comissão de Educação da Câmara, os deputados petistas Zeca Dirceu (PR) e Natália Bonavides (RN) culparam os governos passados pela irritação dos profissionais da educação.
Para ele, o mais importante é o bom diálogo entre as partes. “Lula vem repetindo ser preciso fazer luta para conseguir conquistas. É preciso reclamar para fazer o governo avançar e buscar solução para o cenário de desvalorização do salário dos servidores e de escassez orçamentária das instituições herdado dos anos de desmonte promovido por [Michel] Temer e [Jair] Bolsonaro”, acrescentou Bonavides. (Folhapress)


